Baixada Santista registra mais de 500 casos de HIV/Aids em 2015

Santos tem a maior incidência da Região, são 203 registros entre HIV positivo e Aids. Casos entre adolescentes do sexo masculino triplicou nos últimos 10 anos

Cerca de 510 casos de HIV positivo ou Aids foram registrados na Baixada Santista – Cubatão, Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande – em 2015 até este período. Um número considerado alto para uma época em que a informação é imperativa e transparente. O número é bem próximo do que foi registrado em 2014: 545 casos.

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Neste Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado hoje, a principal preocupação é com os mais jovens. Na Capital paulista, por exemplo, embora o número geral de novos casos de HIV tenha caído 22% nos últimos dez anos, a taxa de detecção do vírus quase dobrou entre homens jovens e triplicou entre adolescentes do sexo masculino, segundo dados apresentados pela Secretaria Municipal da Saúde. Os dados são similares ao cenário observado no País.

O balanço municipal mostra que, entre 2004 e 2014, o índice de casos detectados por 100 mil homens passou de 2,6 para 8,5 na faixa etária entre 15 e 19 anos e de 22,2 para 43,3 no grupo com idade entre 20 e 24 anos. Já entre a população geral, o número de novos casos caiu de 2.926 para 2.278 no mesmo período. 

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A situação não é diferente na Baixada. Em Cubatão, por exemplo, o aumento da incidência da contaminação de jovens, e também de idosos, pelo vírus HIV preocupa o secretário municipal de Saúde, Benjamin Rodriguez Lopez. “São dois grupos onde a epidemia de Aids está crescendo”, alertou, reforçando a necessidade do uso de preservativo em todas as relações sexuais. “Infelizmente, os jovens deixaram de usar camisinha. Sentem-se mais seguros. O fato é que temos tratamento, mas não há cura”.

De 1987 a agosto de 2015, Cubatão registrou 809 casos de contaminação pelo vírus HIV. De acordo com os dados estatísticos da Secretaria de Saúde, em 2011 foram diagnosticados 11 novos casos (seis masculinos e cinco femininos); em 2012, 10 casos (oito masculinos e dois femininos), 2013, 10 (cinco masculinos e cinco femininos); 2014, quatro casos masculinos; e 2015, até agosto, três casos (dois masculinos e um feminino).

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Para Benjamin Lopez, a mídia tem de voltar a pautar a prevenção em suas reportagens. “Enfrentamos a epidemia de Aids da década de 1990 ao início deste milênio. Na época, a mídia falava no assunto o tempo todo. Hoje, a questão da prevenção caiu no esquecimento”.

Além dos jovens, Benjamin Lopez destaca outro grupo vulnerável em 2015: a terceira idade. “Trata-se de uma geração que não discutiu sua sexualidade com o uso da camisinha nos anos de 1950, 1960 e 1970, quando muitos sentiam vergonha no simples fato de entrar em uma farmácia e comprar o preservativo. Mas é uma geração que, graças ao Viagra e aos remédios que restauraram a potência do homem, voltou a ter vida sexual ativa e não estão se prevenindo contra a Aids”.

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O secretário frisou que também está aumentando a incidência entre as mulheres. “Muitos desses homens da terceira idade acabam tendo relações extraconjugais e depois levam o vírus para as mulheres, em casa. É difícil conversar com uma senhora de 50, 60 anos, e dizer para ela: use camisinha com seu parceiro. Estamos diante de um paradigma e temos de discutir muito isso”.

Pela Região

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Cubatão não tem o maior índice de infectados de 2015, Santos tem. Até o período, 203 casos – 124 de HIV positivo e 79 de Aids – foram registrados na Cidade. Em 2014, o número foi maior: 274 registros entre casos positivos e a doença já manifestada. Em 2013, 268 casos registrados. Em 2012, 272 registros. E em 2011, 321.

Para conscientizar a população, a Prefeitura de Santos faz ações em algumas datas especiais, como o Carnaval e o Dia dos Namorados. Na Cidade, o serviço está disponível o ano inteiro na Rua Silva Jardim, seja para a realização de testes convencionais e rápidos para HIV e sífilis, além da testagem para hepatites. Após o resultado dos exames, seja positivo ou negativo, o paciente é orientado pela equipe. Se constatada a infecção, o tratamento também é realizado no local.

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Em São Vicente, o número também é alto: 202 casos registrados só este ano. Em 2014, 133 registros. Em 2013, 102 casos. Em 2012, 183. E em 2011, 173 casos. Desde o início da epidemia, 3.077 casos foram notificados, conforme dados do Departamento Nacional de DST/HIV. Na Cidade, os testes para detectar o HIV podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Betinho, que fica na Rua 13 de Maio, 64. Já o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) fica na Rua José Bonifácio, 105.

Em Guarujá, 81 casos de HIV e Aids foram registrados até este período de 2015. Já no ano passado, o número foi maior: 113 casos registrados. Em 2013, 74 casos. Em 2012, 40 registros. E, em 2011, 102 casos.

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A campanha Fique Sabendo em Guarujá é desenvolvida pela equipe do CTAPT, que tem sede na Rua Quintino Bertoldi, 27, na Vila Maia. Os testes podem ser feitos no próprios local.  O horário de funcionamento da Unidade é das 8 às 16 horas.

Praia Grande registrou 24 casos este ano. Já no ano passado, 21 registros foram feitos nas unidades de saúde da Cidade. Em 2013, 38 casos. Em 2012, 61 registros. E, em 2011, 67 casos positivos. Atualmente, cerca de 1.500 pessoas realizam o tratamento de HIV no Município. Para realizar o teste, a população deve se dirigir à sede do Programa Municipal DST/AIDS/Hepatites, na Rua Cidade de Santos, 89, Bairro Boqueirão.