Baixada deixou de receber R$ 53 bi do Estado em oito anos

O levantamento, baseado em dados extraídos de documentos oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, é do jornalista e consultor em gestão pública Rodolfo Amaral

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16 JAN 2018Por Carlos Ratton12h00
O levantamento, baseado em dados extraídos de documentos oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, é do jornalista e consultor em gestão pública Rodolfo AmaralFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Os nove municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista deixaram de receber nos último oito anos R$ 53,6 bilhões do que lhes eram de direito. O levantamento, baseado em dados extraídos de documentos oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, é do jornalista e consultor em gestão pública Rodolfo Amaral. “Neste período, recebeu somente R$ 9,3 bilhões, dos R$ 62,9 bilhões de direito. E ainda há pessoas que diz que o governador Geraldo Alckmin olha com carinho a ­nossa ­região.

Amaral explica que o Governo do Estado fechou suas contas de 2017 com uma despesa de R$ 225 bilhões 505 milhões na Administração Direta. No conjunto global de despesas estaduais de custeio e de investimentos, a Baixada Santista ficou, mais uma vez, com a “ínfima participação de 0,59%, menor inclusive do que os 0,62% registrados em 2016. Com base na sua representatividade populacional, a região deveria contar com uma fatia de 4,05% destas despesas, o que comprova com dados oficiais que somos absolutamente preteridos nesta divisão de recursos e de responsabilidades”, afirma, ressaltando que, em média, nos últimos oito anos, o índice regional foi de apenas 0,60%.

Penitenciárias

O consultor ressalta que 4,05% é um indicador que serve para vários indicadores. A Baixada representa esse índice percentual frente ao Estado no quesito população, eleitores, economia e outros. Só que no momento de repartir as despesas e investimentos, o percentual é bem menor (0,59%). “A única área na Baixada que recebe, em tese, o que lhe é de direito é a da Administração Penitenciária, por conta da grande quantidade de presídios. Ou seja, o governador é generoso na hora de enviar dinheiro para presídio, mas para educação, saúde e outras não é tão generoso”, afirma, enfatizando que 4,05% é um direito da Baixada.

Sem cobrança

O consultor não poupou críticas aos deputados e prefeitos da região, por serem esses últimos pelo menos sete do PSDB, partido de Alckmin. “Eles deveriam fiscalizar e cobrar. Se não fazem, faço eu. O que me espanta é que são informações absolutamente verdadeiras e oficiais. Ano passado, por conta do número de prefeitos do PSDB, falaram que a Baixada seria vista com outros olhos. Mentira. No primeiro ano de gestão dos sete, houve redução de custeio e investimentos. Todos têm responsabilidade. Cabe aos nossos representantes cobrar. Não é possível que só eu tenho acesso às informações”, reclama. O Governo do Estado não se posicionou sobre a ­questão.