Bairro do Embaré, em Santos, sofre com roubos constantes

Moradores reclamam da falta de policiamento em um dos bairros mais populosos do município

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25 FEV 2017Por Vanessa Pimentel10h00
Moradores marcaram uma reunião para o dia 14 de março no Centro Comunitário que contará com a Polícia MilitarMoradores marcaram uma reunião para o dia 14 de março no Centro Comunitário que contará com a Polícia MilitarFoto: Matheus Tagé/DL

Moradores do bairro do Embaré, em Santos, estão assustados com a quantidade de assaltos que tem acontecido na região. O cansaço em ver a situação se repetir por anos também é outro sentimento presente em quem mora por lá.

“Já falamos com a imprensa outras vezes, daí depois das matérias a polícia vem, faz uma força-tarefa, mas logo some de novo”, diz o presidente do Centro Comunitário do Embaré, Carlos Henrique Machado.

José Augusto, além de morador, possui um salão de beleza no bairro e diz já ter sido assaltado sete vezes. “Há última vez foi há sete meses e por pouco não aconteceu uma tragédia. Na hora que o bandido entrou e mostrou a arma, um dos clientes se assustou e quase levou um tiro”, conta. Segundo ele, o assaltante parecia nervoso e só se acalmou quando o comerciante passou tudo o que tinha.

Nilson Rodrigues é dono de uma banca de jornal na Rua Prof. Torres Homem e já foi assaltado seis vezes. “Neste ano, que mal começou, já me roubaram uma vez e tentaram arrombar a porta durante a madrugada para levar as mercadorias”, desabafa.

Outros casos mais graves foram relatados à Reportagem como famílias que, ao chegarem em casa, foram rendidas e  permaneceram sob domínio dos bandidos por determinado tempo.

O vereador Antônio Carlos Banha Joaquim, que também mora no local, relembra que o bairro é o mais populoso da cidade, por isso precisa de mais policiamento para inibir a ação dos criminosos.

“O efetivo da PM não atende a demanda da cidade. Precisamos de mais homens em toda a Baixada porque a população cresce, mas a polícia não consegue acompanhar. A criminalidade não é só aqui, basta olhar para a Zona Noroeste e ver como quem mora lá sofre com a violência”, ressalta Banha.

Ronda escolar

A escola Cidade de Santos, localizada na Avenida Senador Dantas, também vem sofrendo com a ação dos criminosos. A funcionária Miriam Guerino conta que já viu assaltos acontecerem na esquina do colégio. “É perigoso tanto para nós quanto para os alunos. Não há policiamento, nem ronda escolar”, diz.

No ano passado, a escola contava com a presença de um guarda municipal, porém, de acordo com Miriam, ele foi remanejado e até o momento a Prefeitura não mandou mais ninguém.

Questionada, a Administração informou que após o término do Carnaval haverá remanejamento e um guarda municipal irá para a escola. Atualmente, o efetivo da GCM é de aproximadamente 460 guardas.

Pedro Lessa

Já a Avenida Pedro Lessa sofre com a quantidade de moradores em situação de rua. A hipótese dos entrevistados para a concentração deles na avenida é a quantidade de comércios que possuem marquises e, consequentemente, um local para quem não tem teto se abrigar.

“Não abro no domingo, então toda vez que chego para trabalhar na segunda-feira encontro sujeira e barracas do pessoal”, explica Diego Lima dos Santos, proprietário de um bar no local.

Para ele, o risco maior é o consumo de drogas que acontece entre alguns deles e a falta de solução da Prefeitura perante o contexto, tanto dos comerciantes, quanto dos moradores em situação de rua.

Câmara

Em março, o vereador Banha irá apresentar na Comissão de Segurança Pública da Câmara de Santos, um projeto chamado Vizinhança Solidária, com o intuito de reforçar a seguridade dos munícipes do Embaré.

O Centro Comunitário do bairro também realizará no dia 14 de março, às 19h30, um encontro entre sociedade civil e Polícia Militar com o intuito de buscar soluções conjuntas para o problema.  

Polícia Militar

Em nota, o comando do 6º Batalhão da Polícia Militar informou que realiza policiamento ostensivo preventivo no bairro do Embaré e acompanha a dinâmica da criminalidade com uso de ferramentas de inteligência.

Quanto à ronda escolar, respondeu que o programa é aplicado, bem como a Rádio Patrulha,  Base Comunitária Móvel, entre outros e que as ações no bairro continuarão sendo intensificadas.

Com relação ao efetivo empregado atualmente na região, por motivo de questões estratégicas, não puderam informar.

Também ressaltou a importância de se registrar as ocorrências para subsidiar a distribuição do policiamento e das ações de polícia na ­cidade.