Bacia do Rio Grande tem pior seca em 13 anos

As chuvas dos últimos dias não foram suficientes para recomposição do reservatório.

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05 JAN 201308h29

No lago da usina de Marimbondo, no Rio Grande, entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, é possível observar o efeito da estiagem que reduziu o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Pescadores e turistas se afastam da Bacia do Rio Grande, que enfrentou a pior seca dos últimos 13 anos. E as chuvas dos últimos dias não foram suficientes para recomposição do reservatório, que está com 19% da sua capacidade. Outro lago no Rio Grande é o de Água Vermelha, que está com 17% de sua capacidade.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), o subsistema das regiões Sudeste/Centro-Oeste, onde está a Bacia do Rio Grande, está quase no limite máximo de segurança, com apenas 28,83% da capacidade de estoque. A região é responsável por 70% de toda a capacidade de armazenamento do País.

Mesmo assim, segundo técnicos da ONS, não vai haver racionamento de energia elétrica, porque as chuvas, atrasadas, finalmente estão chegando. A informação, segundo eles, deverá ser ratificada na próxima quarta-feira pelo Comitê de Monitoramento de Energia Elétrica (CMSE) em reunião, em Brasília.

Segundo os técnicos, o governo acredita que até quarta-feira deverá haver mudanças consistentes no nível dos reservatórios. A expectativa é de que, até lá, a água das chuvas dos últimos dias já terá chegado da cabeceira dos rios aos lagos das usinas, especialmente as da região Sudeste. Mas, segundo um relatório do ONS, até dia 11, a previsão é de chuva fraca a moderada nas bacias dos rios Tietê, Grande, Paranaíba e São Francisco. Tanto que o custo marginal de operação, que baliza os negócios no mercado spot, subiram de R$ 341,66 nesta semana para R$ 554,95.

Na usina de Marimbondo, o nível da represa caiu 15 metros nos últimos meses. Além de obrigar o ONS a liberar a produção de 2,1 mil megawatts (MW) de termelétricas a óleo para evitar que o nível fique abaixo do limite mínimo, a estiagem afastou turistas e pescadores da beira dos lagos do próprio Rio Grande.

"Vamos ter de esperar um pouco mais. Os peixes sumiram e foram todos para o rio. Fica difícil pescar", diz o pescador profissional José Eupídio, morador em Icém (SP). A situação nas prainhas que recebem água da Bacia do Rio Grande também é desanimadora. Em Guaraci, a água deu lugar ao fundo de pedras, usado para caminhadas dos turistas. "Fiquei muito surpreso com o que encontrei lá. O lago estava praticamente vazio, deu até para a gente percorrê-lo de carro", contou a comerciante Luzinete Freitas, de Barretos, que costuma passar fins de semana em Guaraci. Nas pousadas da cidade, a queda de ocupação atingiu 60%.