Avião soviético “congelado no tempo” há 20 anos intriga especialistas no interior de SP

Apreendido após irregularidades, jato raro segue parado em Ribeirão Preto e sem previsão de remoção

Avião abandonado e enferrujado em área rural, com a inscrição “Água Limpa” na fuselagem.

A aeronave foi definida, em 2007, pelo Governo Federal, à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, para fins educacionais | Imagem ilustrativa gerada por IA | Google Flow

Abandonado há mais de 20 anos em Ribeirão Preto (SP), no Aeroporto Leite Lopes, um pequeno avião fabricado nos anos 60 na extinta União Soviética é apontado por especialistas como o único no Brasil.

A aeronave foi destinada, em 2007, pelo Governo Federal, à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, para fins educacionais. Essa definição veio após o descumprimento de normas para o transporte no país, mas o veículo nunca foi retirado do local.

Em entrevista ao G1, o professor de engenharia aeronáutica de São Carlos, da USP, James Rojas Waterhouse, diz que o processo de remoção da aeronave de Ribeirão Preto é caro e de difícil execução para a faculdade.

Como a aeronave foi parar no interior de São Paulo

Com capacidade para 40 passageiros, o jato modelo Yakovlev Yak-40 possui autonomia para três horas de voo e foi frequentemente usado pela União Soviética para o transporte de passageiros.

Em 2001, o Clube Náutico Água Limpa, de Belo Horizonte, adquiriu a aeronave e a operou até 2002 em voos comerciais.

Em uma dessas viagens, o avião teve que realizar um pouso não programado em Ribeirão Preto, situação em que o antigo Departamento de Aviação Civil apontou irregularidades.

O motivo exposto foi o descumprimento de regras que impediam o veículo de transitar em território nacional, levando à apreensão da aeronave.

Após a apreensão, o Clube Náutico ganhou na Justiça uma ação que considerou a retenção irregular, afastando o argumento de que a aeronave não estava regularmente nacionalizada.

No meio desse processo judicial, o jato permanece há mais de 20 anos parado em uma área atrás da base do Corpo de Bombeiros local, no Aeroporto Leite Lopes.

A aeronave possui parte de sua estrutura desgastada, devido à exposição constante e à ação do tempo, perdendo seu valor comercial.

“Ele precisa primeiro ser desmontado para depois poder ser embalado para transporte. A desmontagem, a embalagem de um avião desse e o transporte não são tarefas simples, tampouco baratas. A Universidade de São Paulo não tem recursos para fazer um projeto desse tamanho”, afirma Waterhouse.