O registro traz uma informação inédita sobre a espécie no território paulista / Maurício Weingartner
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Uma ave anilhada em novembro de 2024, em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo, foi encontrada a cerca de 200 quilômetros de distância, em São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O achado entusiasmou biólogos do Projeto Aves Limícolas, que buscam entender a dinâmica da espécie em um estudo inédito.
De acordo com observadores de aves colaboradores, o piru-piru (Haematopus palliatus) ainda estava em Ilha Comprida em 2025, mas deixou a região e seguiu até o litoral catarinense, onde foi fotografado, em março deste ano, pelo observador Maurício Weingartner, na Praia do Estaleiro, em meio a um bando da mesma espécie.
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O biólogo Bruno Lima, um dos responsáveis pelo projeto, conta que “quase caiu da cadeira” ao identificar o animal monitorado por sua equipe em outro estado. Ele ressalta que o acesso a essa informação só foi possível graças à ciência cidadã.
“Trabalhamos sempre com o apoio da comunidade e consulto constantemente plataformas como iNaturalist, eBird e WikiAves para monitorar os registros. É assim que temos rastreado indivíduos que foram anilhados por nós”, explicou Lima.
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Segundo o biólogo, o registro traz uma informação inédita sobre a espécie no território paulista, pois confirma a existência de um fluxo migratório a partir das praias locais. Isso reforça a necessidade de proteger áreas costeiras ao longo de toda a rota de vida da ave.
Piru-piru anilhado percorre 200 km e reforça importância da ciência cidadã no monitoramento de aves/“O piru-piru é uma espécie com poucas informações registradas em São Paulo. Com este projeto, buscamos entender a dinâmica populacional, a reprodução e a presença de metais pesados nas cascas dos ovos. O anilhamento nos permite acompanhar esses deslocamentos e identificar para onde os jovens vão”, detalha o pesquisador.
A bióloga Karina Avila, doutoranda pela Unesp/CLP e coordenadora do Projeto Aves Limícolas, afirma que uma das hipóteses de seu doutorado é verificar se os indivíduos nascidos no litoral paulista migram para o sul em busca de novos territórios.
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“Outra questão que só conseguiremos responder daqui a dois anos é se esses jovens que migram retornam aos locais de nascimento para se reproduzir. Para isso, teremos que reencontrar esses mesmos indivíduos em Ilha Comprida”, afirma Karina, lembrando que a espécie pode levar até três anos para atingir a maturidade reprodutiva.
Segundo os pesquisadores, o estudo seguirá anilhando o maior número possível de aves, além de manter o censo populacional mensal em Ilha Comprida, onde são percorridos mais de 70 quilômetros de praias.
“Temos a ambição de instalar um geolocalizador em um piru-piru. Embora a ciência cidadã ajude muito, o dispositivo é mais preciso e permite mapear todo o trajeto percorrido”, complementa a bióloga.
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O projeto conta com o apoio da Biosensu, do Instituto Ambiecco, de observadores e pesquisadores, além do patrocínio das ONGs Wader Quest e Manomet. Caso encontre um piru-piru anilhado, a orientação é comunicar o Projeto Aves Limícolas.