Cotidiano

Avanço do mar pode engolir duas cidades brasileiras até 2050, aponta relatório da ONU

O documento reforça que a taxa de aumento do nível do mar mais do que dobrou nas últimas décadas

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/08/2025 às 09:00

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Entre as 31 cidades mais vulneráveis do planeta, duas estão no Brasil: Rio de Janeiro e Atafona / Pexels

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Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) acendeu o alerta para os riscos da elevação do nível do mar em grandes centros urbanos e comunidades costeiras. Entre as 31 cidades mais vulneráveis do planeta, duas estão no Brasil: Rio de Janeiro e Atafona, distrito de São João da Barra, no norte fluminense.

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O documento, intitulado Surging Seas in a warming world ('Mares em elevação num mundo em aquecimento'), completa um ano de divulgação neste mês e reforça que a taxa de aumento do nível do mar mais do que dobrou nas últimas décadas.

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A projeção é de que até 2050 a elevação alcance 21 centímetros. No caso das duas cidades brasileiras, a marca já chega a 13 cm.

Um estudo também alertou sobre avanço do mar e cravou que praias podem perder até 4,5 metros por ano

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Impactos diretos nas cidades brasileiras

Segundo o geógrafo marinho Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), mesmo que a elevação média pareça pequena, o efeito global é devastador:

'Quando multiplicamos alguns centímetros de aumento pela área total dos oceanos, o volume de água deslocado é colossal'.

Esse acréscimo, explica o especialista, altera o regime dos ventos, amplia o tamanho das ondas e intensifica tempestades no litoral. Em Atafona, que já sofre com erosão costeira, os efeitos das mudanças climáticas agravam um cenário de destruição constante da faixa de areia.

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Já no Rio de Janeiro, os impactos afetam a drenagem urbana: com o mar mais alto, a água das chuvas encontra dificuldade para escoar, aumentando o risco de alagamentos em áreas de baixada.

A ciência por trás do fenômeno

O relatório da ONU aponta que o aquecimento global é a principal causa da elevação. A água do mar se expande com o aumento da temperatura, ao mesmo tempo em que o derretimento de geleiras e calotas polares adiciona ainda mais volume.

O processo é antropogênico, ou seja, provocado pela ação humana e pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa.

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Um problema global

Confira o levantamento lista localidades de países do G20 com projeções alarmantes até 2050:

Nova Orleans (EUA): até 46 cm de elevação.

Atlantic City (EUA): até 34 cm.

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Osaka (Japão): até 32 cm.

Xangai (China): até 29 cm.

Miami (EUA): até 27 cm.

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Londres (Inglaterra): até 26 cm.

Rio de Janeiro e Atafona (Brasil): até 21 cm.

Especialistas alertam que, se nada for feito, cidades inteiras podem enfrentar inundações crônicas, perda de território e deslocamento de populações.

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O desafio brasileiro

No Brasil, o caso de Atafona simboliza o risco de desaparecimento de comunidades inteiras devido ao avanço do mar. Já a capital fluminense precisa lidar com os impactos sobre áreas densamente povoadas, infraestrutura crítica e patrimônio histórico.

Para Bulhões, enfrentar a questão exige políticas públicas consistentes:

'Precisamos pensar em soluções de adaptação para hoje. O aumento do nível do mar não é uma previsão distante: ele já está em curso'.

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O relatório da ONU mostra que a emergência climática não é apenas uma ameaça global, mas uma realidade concreta que já atinge cidades brasileiras.

Principais tópicos dessa pesquisa

Relatório da ONU sobre a elevação do nível do mar

Alerta global: ONU incluiu 31 cidades mais vulneráveis do planeta; no Brasil, aparecem Rio de Janeiro e Atafona (São João da Barra, RJ).

Relatório: Surging Seas in a warming world completa um ano; aponta que a taxa de aumento do nível do mar dobrou nas últimas décadas.

Projeção: até 2050 a elevação pode chegar a 21 cm; no Brasil já há registro de 13 cm.

Impactos diretos no Brasil

Atafona: já sofre com erosão costeira, agravada pelas mudanças climáticas.

Rio de Janeiro: enfrenta problemas de drenagem urbana; o mar mais alto dificulta escoamento das chuvas e aumenta risco de alagamentos em áreas de baixada.

Especialista (UFF): aumento de poucos centímetros representa “volume colossal de água”, intensificando ondas, ressacas e tempestades.

Causas da elevação

Aquecimento global é a principal causa.

Expansão térmica da água e derretimento de geleiras e calotas polares.

Processo é antropogênico (provocado pela ação humana e emissões de gases de efeito estufa).

Cidades mais ameaçadas (até 2050)

Nova Orleans (EUA): até 46 cm.

Atlantic City (EUA): até 34 cm.

Osaka (Japão): até 32 cm.

Xangai (China): até 29 cm.

Miami (EUA): até 27 cm.

Londres (Inglaterra): até 26 cm.

Rio de Janeiro e Atafona (Brasil): até 21 cm.

O desafio brasileiro

Atafona: risco de desaparecimento de comunidades inteiras.

Rio de Janeiro: ameaça a áreas povoadas, infraestrutura crítica e patrimônio histórico.

Eduardo Bulhões (UFF): urgência em políticas públicas de adaptação.

Alerta: “O aumento do nível do mar já está em curso, não é previsão distante”.

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