Cotidiano
Tecnologia nacional utiliza análise de biomarcadores para ampliar estratégias de rastreio e surge como um importante aliado complementar à mamografia
O RosalindTest analisa no sangue marcadores moleculares ligados ao desenvolvimento do câncer de mama / Freepik/stefamerpik
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O câncer de mama permanece como o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e representa a principal causa de morte por câncer nessa população. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o paÃs registra cerca de 73 mil novos casos anuais, além de enfrentar o desafio de mais de 20 mil mortes por ano decorrentes da doença.Â
Para auxiliar no enfrentamento desse cenário, uma pesquisa brasileira desenvolveu o RosalindTest®, um exame de sangue que visa fortalecer as estratégias de prevenção e rastreio.
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A tecnologia identifica sinais moleculares associados ao tumor por meio da análise de biomarcadores presentes na corrente sanguÃnea.Â
O projeto nasceu de estudos em expressão gênica e biologia molecular, com a proposta de converter descobertas cientÃficas em uma ferramenta prática de uso clÃnico.Â
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A condução do trabalho foi feita por pesquisadoras brasileiras com atuação em genética, incluindo a biomédica Glaucia Raquel Luciano da Veiga, doutora em Farmacologia pela Unifesp, e a geneticista Beatriz da Costa Aguiar Alves Reis, doutora pela USP.Â
Segundo Glaucia, que lidera e co-fundou a iniciativa, o objetivo sempre foi transformar o conhecimento em uma ferramenta acessÃvel para apoiar decisões clÃnicas.
Veja também: São Paulo deve ultrapassar 20 mil novos casos de câncer de mama em 2026
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O RosalindTest® analisa no sangue marcadores moleculares ligados ao desenvolvimento do câncer de mama.Â
As investigações que deram origem ao teste observaram como as células tumorais passam a expressar genes especÃficos associados à sobrevivência e ao crescimento do tumor.Â
Tais alterações são detectadas por meio de uma simples coleta de sangue, buscando identificar precocemente a presença da enfermidade.
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Em estudos prévios, o teste demonstrou cerca de 95% de acurácia ao diferenciar mulheres com e sem a doença. Esse resultado auxilia na triagem das pacientes e pode indicar a necessidade de exames confirmatórios, como a mamografia ou a biópsia, sem substituir esses métodos tradicionais.Â
A tecnologia foi desenvolvida pela LiqSci, empresa brasileira de biotecnologia especializada em diagnósticos inovadores que integra o hub de saúde e ciência da Sthorm.Â
O projeto nasceu em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC, que atuou no desenvolvimento e na validação.
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Um projeto de aplicação real da tecnologia envolveu aproximadamente 600 mulheres residentes em áreas rurais nos estados de São Paulo e Ceará. Nessa etapa, a Faculdade de Medicina do ABC também foi responsável pelas análises laboratoriais.Â
Os resultados apontam que a inovação pode levar ferramentas de diagnóstico a populações que tradicionalmente possuem menos acesso ao rastreio precoce.Â
O exame foi concebido para funcionar dentro do conceito de medicina de precisão, atuando como um complemento à mamografia.
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Enquanto a mamografia é geralmente indicada a partir dos 40 anos, seguindo diretrizes médicas, o exame de sangue pode ser realizado por mulheres de qualquer idade como estratégia adicional.Â
Como exige apenas a coleta sanguÃnea, o teste pode ser aplicado em campo por profissionais de saúde em regiões com menor infraestrutura médica e analisado posteriormente.Â
Os pesquisadores reforçam que o teste é focado em prevenção e rastreio, não sendo indicado para acompanhar mulheres que já tiveram a doença ou para monitorar tratamentos em curso, situações que exigem protocolos especÃficos.
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O nome do procedimento é uma homenagem direta à cientista britânica Rosalind Franklin, figura fundamental para a compreensão da estrutura do DNA. Em 1952, ela registrou a Foto 51, imagem decisiva para revelar a estrutura em dupla hélice da molécula.Â
O registro acabou sendo mostrado sem a autorização da pesquisadora para James Watson e Francis Crick, que anos depois foram premiados com o Nobel pela descoberta.
Rosalind Franklin faleceu quatro anos antes da premiação e não recebeu o devido reconhecimento em vida. Ao adotar seu nome para a tecnologia brasileira, o projeto busca valorizar a contribuição feminina para o avanço cientÃfico global.
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