Cotidiano

Avanço brasileiro na medicina: Novo exame de sangue detecta câncer de mama com 95% de precisão

Tecnologia nacional utiliza análise de biomarcadores para ampliar estratégias de rastreio e surge como um importante aliado complementar à mamografia

Luna Almeida

Publicado em 18/03/2026 às 22:22

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O RosalindTest analisa no sangue marcadores moleculares ligados ao desenvolvimento do câncer de mama / Freepik/stefamerpik

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O câncer de mama permanece como o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e representa a principal causa de morte por câncer nessa população. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra cerca de 73 mil novos casos anuais, além de enfrentar o desafio de mais de 20 mil mortes por ano decorrentes da doença. 

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Para auxiliar no enfrentamento desse cenário, uma pesquisa brasileira desenvolveu o RosalindTest®, um exame de sangue que visa fortalecer as estratégias de prevenção e rastreio.

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A tecnologia identifica sinais moleculares associados ao tumor por meio da análise de biomarcadores presentes na corrente sanguínea. 

O projeto nasceu de estudos em expressão gênica e biologia molecular, com a proposta de converter descobertas científicas em uma ferramenta prática de uso clínico. 

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A condução do trabalho foi feita por pesquisadoras brasileiras com atuação em genética, incluindo a biomédica Glaucia Raquel Luciano da Veiga, doutora em Farmacologia pela Unifesp, e a geneticista Beatriz da Costa Aguiar Alves Reis, doutora pela USP. 

Segundo Glaucia, que lidera e co-fundou a iniciativa, o objetivo sempre foi transformar o conhecimento em uma ferramenta acessível para apoiar decisões clínicas.

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O funcionamento do exame e a acurácia dos resultados

O RosalindTest® analisa no sangue marcadores moleculares ligados ao desenvolvimento do câncer de mama. 

As investigações que deram origem ao teste observaram como as células tumorais passam a expressar genes específicos associados à sobrevivência e ao crescimento do tumor. 

Tais alterações são detectadas por meio de uma simples coleta de sangue, buscando identificar precocemente a presença da enfermidade.

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Em estudos prévios, o teste demonstrou cerca de 95% de acurácia ao diferenciar mulheres com e sem a doença. Esse resultado auxilia na triagem das pacientes e pode indicar a necessidade de exames confirmatórios, como a mamografia ou a biópsia, sem substituir esses métodos tradicionais. 

A tecnologia foi desenvolvida pela LiqSci, empresa brasileira de biotecnologia especializada em diagnósticos inovadores que integra o hub de saúde e ciência da Sthorm. 

O projeto nasceu em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC, que atuou no desenvolvimento e na validação.

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Aplicação em áreas rurais e complemento ao rastreio

Um projeto de aplicação real da tecnologia envolveu aproximadamente 600 mulheres residentes em áreas rurais nos estados de São Paulo e Ceará. Nessa etapa, a Faculdade de Medicina do ABC também foi responsável pelas análises laboratoriais. 

Os resultados apontam que a inovação pode levar ferramentas de diagnóstico a populações que tradicionalmente possuem menos acesso ao rastreio precoce. 

O exame foi concebido para funcionar dentro do conceito de medicina de precisão, atuando como um complemento à mamografia.

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Enquanto a mamografia é geralmente indicada a partir dos 40 anos, seguindo diretrizes médicas, o exame de sangue pode ser realizado por mulheres de qualquer idade como estratégia adicional. 

Como exige apenas a coleta sanguínea, o teste pode ser aplicado em campo por profissionais de saúde em regiões com menor infraestrutura médica e analisado posteriormente. 

Os pesquisadores reforçam que o teste é focado em prevenção e rastreio, não sendo indicado para acompanhar mulheres que já tiveram a doença ou para monitorar tratamentos em curso, situações que exigem protocolos específicos.

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Homenagem à pioneira da ciência Rosalind Franklin

O nome do procedimento é uma homenagem direta à cientista britânica Rosalind Franklin, figura fundamental para a compreensão da estrutura do DNA. Em 1952, ela registrou a Foto 51, imagem decisiva para revelar a estrutura em dupla hélice da molécula. 

O registro acabou sendo mostrado sem a autorização da pesquisadora para James Watson e Francis Crick, que anos depois foram premiados com o Nobel pela descoberta.

Rosalind Franklin faleceu quatro anos antes da premiação e não recebeu o devido reconhecimento em vida. Ao adotar seu nome para a tecnologia brasileira, o projeto busca valorizar a contribuição feminina para o avanço científico global.

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