Aumento dos casos de dengue preocupa governantes

O estado de São Paulo, com 123 mil casos, reúne mais da metade dos 224 mil registros de dengue este ano, no país

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24 MAR 201519h07

O aumento das chuvas na Região Sudeste, entre fevereiro e março deste ano, ascendeu o alerta para casos de dengue. A região concentra as notificações no país, com 145 mil pessoas infectadas até agora – quatro vezes mais que no mesmo período do ano passado.

O estado de São Paulo, com 123 mil casos, reúne mais da metade dos 224 mil registros de dengue este ano, no país. O governo do estado prepara um plano de emergência, ao custo de R$ 10 milhões, para combater a doença a partir de abril. Serão priorizados municípios do litoral e da zona oeste, como Catanduva e Sorocaba, recordistas em casos, segundo Dalton Pereira da Fonseca Júnior, superintendente de Controle de Endemias da Secretaria de Saúde. O plano prevê a contratação de 500 agentes, compra de viaturas, equipamentos e inseticidas para atuar nas áreas de maior infestação da doença.

“A grande preocupação hoje é que nós não conseguimos interromper a transmissão de casos no segundo semestre de 2014”, admite o coordenador. “Isso foi um fator predominante para o alto número de casos [agora]. Tivemos um incremento da epidemia no oeste do estado, no início do ano, e temos 500 dos 650 municípios paulistas com transmissão”, explicou.

A crise hídrica pela qual passa o estado também deixou a equipe de saúde em alerta. A adoção de medidas para armazenar água nas casas, por meio de caixas d'água, e o aumento do volume de chuvas em fevereiro e março, são chamarizes para a proliferação de mosquito transmissor da dengue, principalmente na região metropolitana, disse Fonseca. “A orientação que damos é acondicionar e tampar bem as caixas d'água”, afirmou. Segundo ele, os principais criadouros do vetor estão dentro dos domicílios. Principalmente vasos de plantas, calhas, lajes e ralos.

Para evitar que a dengue se alastre e aumente a incidência da chikungunya – com 1.049 casos notificados no país de 2014 para cá –, o Ministério da Saúde reúne ontem (24) e amanhã (25), no Rio de Janeiro, técnicos em saúde das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Eles discutem aspectos clínicos, epidemiológicos, vigilância e diagnóstico das doenças, assim como a assistência aos pacientes. O governo quer estimular estados e municípios a elaborarem um plano de contingência. Hoje, 19 estados apresentaram programas de ação estruturada ao ministério para combater as enfermidades.

O aumento das chuvas na Região Sudeste ascendeu o alerta para casos de dengue (Foto: Agência Brasil)

“O plano de contingência é um instrumento que deve ser adotado para garantir resposta adequada e, principalmente, a questão da rede de assistência aos doentes. É fundamental que não seja acionado [só] quando a situação estiver limite máximo [mas antes]”, afirmou o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho. Ele orienta para que os planos tenham medidas de combate ao mosquito transmissor, com fumacê, plano de comunicação e mobilização, para bem informar a população sobre a doença, notificação dos casos e investigação dos óbitos, além de diagnóstico precoce e tratamento.

“Em determinadas circunstâncias, o atendimento a pacientes com dengue gera uma sobrecarga no sistema de saúde. É necessário que se pense em alternativas para garantir o acesso à população, como o uso de tendas de hidratação ou contêineres”, acrescentou o coordenador.

Na avaliação de Coelho, o aumento do número de casos em 2015, no país, é duas vezes maior que no mesmo período de 2014, e está relacionado à vulnerabilidade da população aos tipos de dengue e ao regime de chuvas nesta época, que favorece a proliferação do mosquito transmissor.