Audiência pública debate projeto que quer proibir a venda de pets em Santos nesta terça

Em alguns países como a Inglaterra e Austrália já existe legislação vetando a venda de animais. Vereador Benedito Furtado (PSB) é o autor da propositura

Comentar
Compartilhar
06 MAI 2019Por Da Reportagem14h13
Pela proposta, ficaria proibida a venda de cães, gatos, coelhos, roedores, pássaros e demais animaisFoto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

A Câmara Municipal de Santos realiza audiência pública amanhã (07/05), a partir das 19 horas, na sede do Legislativo (Praça Ten. Mauro Batista Miranda, s/nº), para debater o PLC 14/2019, que proíbe a concessão e renovação de alvará de licença, localização e funcionamento aos canis, gatis e estabelecimentos comerciais que pratiquem a comercialização de animais domésticos em Santos.

De autoria do vereador Benedito Furtado (PSB), a propositura foi apresentada na 11ª Sessão Ordinária, no dia 14 de março de 2019. O parlamentar alega que é nítido o progresso social rumo à "descoisificar" os animais, dando-lhes o tratamento cabível como seres vivos dotados de sensibilidade que são. "Animais não são coisas, não são mercadorias. Ninguém compra um bebê, assim, ninguém deveria pagar para ter um animal de estimação", afirma o parlamentar.

Em alguns países como a Inglaterra e Austrália já existe legislação vetando a venda de animais. No México, até o status jurídico dos animais foi modificado os reconhecendo como seres sencientes e destinatários de tratamento digno e respeito à vida e à integridade física, sendo, inclusive, sujeitos de consideração moral.

"É importante ressaltar que a vida animal não depende da criação artificial, controlada ou forçada pelo ser humano. O risco de pensar de forma diversa ao exposto se configura na pretensão de elevar o homem ao patamar de gerador de vidas, equiparando-o, quiçá, à figura divina ou à própria natureza. São compreensões como estas que levam ao equívoco de se considerar morais e permitidas as manipulações genéticas nos animais, por questões de estética ou para atender aos caprichos humanos", salienta o vereador.

No Brasil, a rede Petz, de artigos para animais, acompanhando a evolução do assunto, anunciou a decisão de não comercializar mais cães e gatos em suas lojas após a ocorrência do resgate de 1.700 cachorros de um canil denunciado por atuar de forma irregular, com maus-tratos aos animais, da qual era cliente.

Cabe lembrar que as Ongs e a Coordenadoria de Defesa da Vida Animal (Codevida) estão lotadas de animais abandonados, aguardando um lar.

"Há dez anos, quando a Câmara aprovou meu projeto que proibia a exibição de animais em circos, houve uma grande repercussão e protestos. Uma década após virar lei em Santos, os circos em todo o país já não possuem mais este tipo de "atração". É preciso avançar. E a luta continua...", afirma Furtado.

Foram convidados para a audiência diversos Pet Shops da região, entidades de proteção e bem-estar animal, as Secretarias de Meio Ambiente e Finanças, Ouvidoria, Conselho Regional de Medicina Veterinária, Conselho Municipal de Proteção Animal, a Polícia Ambiental e ativista e apresentadora de televisão, Luisa Mell.

Colunas

Contraponto