Atos por transporte fecham vias de São Paulo

Cerca de 150 manifestantes do MPL se concentraram na frente da Escola Estadual Carlos Ayres, por volta das 18h30

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23 OUT 201322h51

O transporte público pautou dois protestos na tarde desta quarta-feira, 23, na cidade de São Paulo. No centro, trabalhadores de uma viação descredenciada pela Prefeitura fecharam a Rua Martins Fontes com cinco ônibus para reivindicar a reversão das demissões. No Grajaú, extremo sul da capital, o Movimento Passe Livre (MPL) fez uma passeata para exigir a melhoria no sistema de transporte da região.

Cerca de 150 manifestantes do MPL se concentraram na frente da Escola Estadual Carlos Ayres, por volta das 18h30. O grupo, que comandou os grandes protestos de junho e defende a tarifa zero, exige a volta de linhas extintas na zona sul, a criação de itinerários diretos bairro-centro e circulares entre os bairros e a construção de estações de trem no Terminal Varginha e em Parelheiros.

A Avenida Teotônio Vilela foi fechada. No início do ato, houve tumulto entre manifestantes e motoristas de vans que tentavam desbloquear a via. Um perueiro que preferiu não se identificar disse que não era contra o ato, mas afirmou que precisava da via desbloqueada para poder trabalhar. Ele disse que os motoristas trabalham em uma cooperativa e têm de prestar contas. A Polícia Militar não interferiu na confusão.

"Nossos inimigos são os empresários e o governo que governa para eles. Essa luta é de vários coletivos e associações, mas tem o apoio do MPL", disse Caio Martins, que é membro do MPL paulistano. Moradora da Vila Anchieta, Assidalia Maria de Jesus disse que foi ao ato por dois motivos. "Além do ônibus lotado que precisa melhorar muito, nós lutamos também por moradia. Por isso viemos. Somos do Movimento Anchieta", afirmou.

Durante a protesto, os manifestantes queimaram catracas. Paredes foram pichadas com a mensagem "chega de catraca" e "fogo na PM".

Às 20h30, o grupo deixou a Avenida Teotônio Vilela e seguiram, em passeata, pela Avenida Atlântica. Pelo caminho, manifestantes pichavam as paredes dos estabelecimentos comerciais. Houve outro princípio de confusão na frente de um posto de combustível. O grupo terminaria o protesto no Largo da Capela do Socorro, na zona sul.

Demissões

No centro, ato organizado pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas) interditou a rua onde fica a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Segundo a PM, aproximadamente 350 manifestantes participam do ato, que foi pacífico. A manifestação acabou às 18h10.

Ele reivindicavam direitos trabalhistas após a empresa de ônibus Itaquera-Brasil, onde trabalhavam, ter sido descredenciada de prestar o serviço na Área 4-Leste.

Acordo. A SPTrans informou, por meio de nota, que foi formalizado acordo entre os trabalhadores, representantes do sindicato dos empresários do setor, o SPUrbanuss, e do SindMotoristas na Superintendência - o órgão é vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Os cerca de 1.600 profissionais demitidos serão admitidos por outras empresas de transporte e terão os direitos trabalhistas pagos em dez vezes.

"As empresas vão repassar dinheiro para o sindicato pagar os trabalhadores e vai fazer a homologação dos contratos de trabalho", afirmou Antônio Ferreira Mendes, diretor do sindicato