Ato em peça promove reflexão sobre ocupação artística em Santos

Casos recentes envolvem proibições e prisão de um dos idealizadores de ocupações artísticas

A Câmara Municipal de Santos será palco amanhã de uma manifestação de artistas a favor da liberdade de expressão e do uso dos espaços públicos por coletivos culturais. O ato será apoiado pelo vereador Evaldo Stanislau (Rede), que abrirá a sessão apresentando o caso de censura policial. O político enviará ofícios pedindo explicações e posicionamentos e promete acompanhar de perto a situação sobre a ocorrência registrada no último domingo (30), em Santos.

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Em cena, a Trupe Olho da Rua retratava a opressão que o brasileiro vive nas ruas, suscitando a discussão sobre a desmilitarização da polícia e os resquícios do período ditatorial. Em dado momento, a realidade cruzou tão bem cruzado a arte, que ambas se confundiram: policiais militares interviram no espetáculo apresentado e conduziram o ator Caio Martinez algemado até a delegacia.

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A ação relatada acima aconteceu na emblemática Praça dos Andradas, no Centro de Santos. Emblemática, pois o espaço, outrora cercado por grades, abriga hoje três importantes polos de difusão de arte: a Cadeia Velha (sede da Oficina Cultural Pagu), o Teatro Guarany (palco de apresentações e lutas contra o fim da escravidão no Brasil) e a Vila do Teatro (ocupação cultural de grupos artísticos santistas). O próprio chão da praça tem recebido, ao longo dos últimos meses, festas e eventos abertos, organizados por coletivos santistas de diversos segmentos culturais.

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A intervenção na Praça dos Andradas aconteceu justamente em um dia em que representantes desses coletivos organizavam um evento sobre a utilização dos espaços públicos, uma vez que manifestações artísticas tais como festas, exibições de cinema a céu aberto, discotecagem, performances circenses, shows e exposições fotográficas estão sendo frequentes na região, muitas delas também repreendidas por agentes de segurança.

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Em um caso anterior, também acompanhado pelo Diário do Litoral, agentes da Guarda Municipal tentaram paralisar a intervenção temática ‘Dia das Bruxas’, organizada por alunos da Escola de Artes Cênica (EAC). Na ocasião, a alegação era que o grupo não tinha autorização para fazer uso de equipamentos de som na praça pública.

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Mobilização. O assunto foi pauta de uma reunião entre integrantes do Movimento Teatral da Baixada Santista (MTBS), artistas de diversos segmentos e coletivos de ocupação das praças públicas na última quarta-feira (2). O grupo se reuniu para debater ações a serem tomadas.

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“Não é um caso recente. Enquanto encenávamos o Projeto Bispo (espetáculo teatral itinerante realizado pelas ruas do Centro Histórico de Santos) foram várias ocorrências envolvendo agentes públicos”, apontou Junior Brassalotti, do MTBS.

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Opinião semelhante defendeu Rafael Forte, o Baka, do Coletivo ABSM e Piratas do Maxixe. De acordo com ele, a repressão acontece também com os artistas de rua, que constantemente têm seus materiais ­apreendidos.

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Em virtude da chuva, a reunião foi transferida para o interior da Rodoviária de Santos, o que ocasionou novamente a presença de policiais militares no encontro. No entanto, não foram registrados conflitos.

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O Conselho de Cultura de Santos (Concult) também se manifestou sobre a ocorrência. Será apresentado um relatório na Assembleia Geral Ordinária do dia 21 de novembro repudiando a censura. O encontro deve contar com a participação do secretário de Cultura, Fábio Nunes.

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A Prefeitura afirma que não foi a responsável pela intervenção policial, e que incentiva as manifestações artísticas da cidade. O decreto que regulamenta quaisquer eventos em espaços públicos deverá ser atualizado junto à comunidade, para dar maior respaldo e segurança às expressões culturais, principalmente na Praça dos Andradas.

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A Secretaria da Cultura divulgou que tem reuniões internas da Prefeitura sobre como garantir a segurança dos eventos artísticos. Informou também que está em diálogo com a Polícia Militar e a trupe para uma futura reunião. Artistas afirmaram que podem pedir o apoio do Ministério Público no que diz respeito a verificar se houve excesso da PM contra a liberdade de expressão.

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Na Alesp, deputado Carlos Giannazi aciona MP e corregedoria para acompanhar caso

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A intervenção foi tema de audiência na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) na última quinta-feira (3). O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) garantiu ações no Ministério Público Federal para apurar o caso, e que irá acompanhar as investigações. A Corregedoria da PM também foi acionada.

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O parlamentar classificou o episódio como ‘um momento sombrio e tenebroso de volta da censura’ e disse já ter acionado o MP contra a ação da PM e a Corregedoria para apurar o caso. “É inconcebível que em 2016 uma peça seja interrompida pela Polícia Militar, algo que só acontecia nos anos de chumbo da ditadura. Queremos garantir que a Constituição federal seja cumprida, principalmente a liberdade de expressão”, afirmou.

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O secretário de Segurança do Estado, Mágino Alves Barbosa Filho, também irá investigar a ação da Polícia Militar a pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB).