Cotidiano

Até orelhão já foi encontrado no mar da Baixada Santista

A lista é longa e vai de móveis velhos, a cones de sinalização de trânsito, uniforme escolar e pinos de cocaína.

Vanessa Pimentel

Publicado em 03/08/2019 às 07:02

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O Ecofaxina estuda junto com as prefeituras a instalação de ecobarreiras em regiões específicas . / WILLIAM RODRIGUEZ SCHEPIS/INSTITUTO ECOFAXINA

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Um sofá acabou virando notícia na região. Isso porque ele foi encontrado boiando no mar da praia da Aparecida, em Santos, no sábado passado. Mas, o tipo de resíduo jogado no mar e manguezais da Baixada Santista vai além de sofá: "já retiramos até um orelhão de dentro do mangue", conta William Rodriguez Schepis, biólogo marinho e diretor presidente do Ecofaxina, instituto que realiza ações mensais de limpeza nos manguezais da região.

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A lista é longa e vai de móveis velhos, a cones de sinalização de trânsito, uniforme escolar e pinos usados para embalar cocaína. "A maior quantidade de resíduos que retiramos do mangue é domiciliar. Sempre têm muitas embalagens de produtos de limpeza, fármacos, eletrodomésticos. Há também o despejo do que deveria ser recolhido pelo Cata-treco, que são colchões, camas, armários", explica William.

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Geralmente, o que é jogado na maré é proveniente das comunidades que vivem em palafitas.

"A própria característica das comunidades faz com que a alternativa mais rápida seja jogar o lixo na maré. Os corredores entre as palafitas são tão estreitos que não suportam a passagem de, por exemplo, um móvel velho. Então, eles jogam na água. Além disso, os moradores precisam levar o lixo até a via mais próxima, porque os caminhões da coleta não passam pelas vielas. E a condição de vida deles tem problemas sociais tão graves, que cobrar consciência ambiental fica difícil", explica o biólogo.

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Já quando os mutirões de limpeza acontecem nas praias, as características dos resíduos encontrados mudam. São bitucas e embalagens de alimentos consumidos ali, tão prejudiciais para o meio ambiente e animais marinhos quanto os resíduos domésticos.

ALTERNATIVA

Como uma possível solução, o Instituto Ecofaxina estuda junto com as prefeituras de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá, a instalação de ecobarreiras em regiões específicas das cidades. O equipamento impede a dispersão dos resíduos descartados no manguezal, evitando que alcancem o mar aberto, onde não encontram fronteiras.

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A construção, instalação e operação das ecobarreiras será feita pelos Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos, que podem ser voluntários das próprias comunidades, sob supervisão de diretores do Instituto EcoFaxina.

Com coleta diária, os resíduos presos nas ecobarreiras seriam destinados a galpões instalados nos bairros, triados para reciclagem - o que gera renda - e para o aterro, aquilo que não puder ser reaproveitado.

"Ainda não temos uma data para que o projeto saia do papel, mas esperamos que até 2020 as primeiras ecobarreiras sejam instaladas", diz William.

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