As Creches de Santos estão pedindo socorro

As 57 creches municipais estão sob o risco de diminuir a assistência ou, em certos casos, fechar as portas

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19 MAR 2018Por Carlos Ratton09h40
As 57 creches municipais estão sob o risco de diminuir a assistência ou, em certos casos, fechar as portasFoto: Divulgação

As 57 creches municipais conveniadas, responsáveis por cerca de nove mil crianças (33% dos alunos matriculados) em Santos, estão sob risco de diminuir a assistência ou, em certos casos, fechar as portas por conta da defasagem nos repasses públicos, acumulados nos últimos anos. 

A informação, em tom de desabafo, é do presidente da Creche São Jorge, José Chucri Neto, membro atuante da Comissão de Entidades ­Filantrópicas da Secretaria ­Municipal de Educação. “As creches viviam de pires nas mãos. Hoje, o pires já foi vendido”, alerta.  

A São Jorge fica na Vila Belmiro, é uma das mais tradicionais e conceituadas da cidade e atende 200 crianças entre quatro meses e seis anos, filhos de pessoas cuja renda familiar é de no máximo dois salários mínimos – R$ 1.874,00. 

“Recebemos, em média, por criança, R$ 370,00 por mês. Precisamos de, no mínimo, R$ 600,00. Minha entidade gasta 10 quilos de mistura por dia, fornece quatro refeições diárias e possui 40 funcionários. Vivemos cobrindo o deficit mensal por conta de eventos que realizamos e de pessoas que nos ajudam”, explica José Chucri.  

Alimentação e salários

O presidente da São Jorge lembra que as creches, como a que administra, não têm gastos apenas com a alimentação e salários de funcionários, também têm despesas relacionadas ao fornecimento de água, de energia e toda a manutenção e adaptações constantes realizadas nos imóveis. 

“Cerca de 90% da folha é paga com os repasses. Pagamos todos os tributos relacionados a entidades filantrópicas. Só somos isentos de imposto de renda. Meu deficit mensal gira em torno de R$ 20 mil. O que salva são eventos voluntários e doações de feiras, supermercados e comerciantes. Nossa cabeça tinha que estar totalmente voltada ao pedagógico, mas fica preocupada em sobreviver”, dispara.

40 mil

Chucri Neto alerta que o fechamento das creches pode acarretar o desemprego de cerca de 40 mil trabalhadores e dá um exemplo recente do agravamento da situação. Ele afirma que sua entidade sempre participou da Festa Junina da Gota de Leite. 

“Após 17 anos, a Gota não fará a festa. Também não conseguimos ser sorteados para ocupar um espaço no sambódromo e obter renda com a venda de bebidas para reverter para a entidade. Numa audiência pública, em que vereadores participaram, foi exposta a situação crítica das creches de Santos. Matamos um leão por dia”, salienta.

Ajuda

O presidente da São Jorge disse que no próximo dia 27, junto com outra entidade, será realizada uma noite da pizza para arrecadação de fundos e que a creche mantém o Projeto Coração Gigante, em que colaboradores podem doar quantias por intermédio do Banco do Brasil, agência 3021-X, conta corrente 24867-3, em nome da Associação Filantrópica Católica Ortodoxa.

Prefeitura 

Questionado sobre as informações de Chucri, o secretário de Educação de Santos, Carlos Mota, informou que a Administração segue o marco regulatório do terceiro setor, que prevê chamamento público e posterior credenciamento de entidades que desejam prestar serviços à Prefeitura. Sendo assim, todas as entidades tem conhecimento prévio de quanto será o repasse e até um histórico de valores. 

“Todos os valores são levados à discussão da Comissão, também em plenária aberta e posso garantir que a maioria não segue a mesma opinião. Todo ano, há um acréscimo nos valores acima da inflação e a atual administração repassa, em junho e setembro, mais 60% sobre o valor a título de 13 salário”, informou o secretário, colocando-se à disposição de todas as entidades para discutir problemas relacionados ao terceiro setor.