Artur Parada Prócida não deve retomar Prefeitura de Mongaguá

Segundo advogado, bastaria ingressar com uma ação na Justiça para rever o processo de cassação na Câmara

Fim a especulação. O ex-prefeito Artur Parada Prócida não pensa, pelo menos este ano, em retomar a cadeira de prefeito de Mongaguá, apesar de seu advogado, Eugênio Malavasi, informar que “nada o impede porque ele foi absolvido sumariamente. Se pretendesse voltar, bastaria ingressar com uma ação na Justiça para rever o processo de cassação, na Câmara de Mongaguá”.

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A informação de que Prócida não quer tirar o vice da cadeira, Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça, é do filho do ex-prefeito, o vereador Guilherme Prócida (PSDB) que, por telefone, disse que seu pai não estaria na Cidade e que só pensa em descansar no momento. “Mas de 200 pessoas, semana passada, me ligaram perguntando se ele pretende voltar. Muita especulação, mas isso não procede”, adiantou.

Segundo Malavasi, o Ministério Público Federal (MPF) ainda não ofereceu recurso à decisão da juíza federal Silvia Maria Rocha, que absolveu Artur Parada Prócida do crime de lavagem de dinheiro. O processo teve origem quando da apreensão, na casa de Prócida, das quantias de R$ 4.613.610 e US$ 217 mil (cerca de R$ 885 mil).

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A importância total de R$ 5.498.610 estava dentro de um guarda-roupa. Ela foi encontrada pela Polícia Federal em 9 de maio de 2018, durante a Operação Prato Feito, a qual Prócida ainda é investigado (ver nesta reportagem).

Na época, Prócida foi preso em flagrante. Ele teve o mandato cassado, sendo solto quatro meses depois graças a habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

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Malavasi disse ainda que se o MPF não oferecer recurso, o ex-prefeito poderá solicitar a liberação do dinheiro apreendido, dado como sobras de campanhas eleitorais e herança, no caso dos dólares. “Se caso for definitivamente encerrado, sim, ele pode solicitar a devolução das quantias”.

PRATO FEITO.

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A Prato Feito investigou desvios de verbas destinadas à compra de merenda e uniforme escolares. O ex-prefeito está sendo acusado de corrupção passiva, fraude a licitação e associação criminosa. “Mas nenhuma ação foi impetrada. Ainda é só investigação”, explica o advogado.

Malavasi fez questão de sustentar à época que “mesmo que admitindo hipoteticamente que os valores encontrados fossem provenientes de alguma infração penal, o ato de ocultá-lo no guarda-roupa não caracteriza a lavagem de dinheiro sem a demonstração da intenção de reciclagem, de reinserção dos bens na economia formal com a aparência de licitude”, sustentou Malavasi. Prócida esteve preso na Penitenciária de Tremembé.

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As investigações apuraram que cinco grupos criminosos agiriam em 30 municípios, contatando prefeituras por meio de lobistas, para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais para a educação destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

Na ocasião, foram cumpridos 19 mandados em seis cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. A operação foi resultado de uma investigação da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), que apuram irregularidades em 65 contratos de até R$ 1,6 bilhão.

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Segundo as autoridades, há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, um vereador, 27 agentes públicos não eleitos e outras 40 funcionários de empresas. A CGU identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bilhão.

NÃO GARANTE.

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Não será fácil. O presidente da Câmara de Mongaguá, vereador Carlos Jacó Rocha, o Carlos Cafema (PRP), já havia revelado que a decisão de primeira instância da Justiça Federal não garante a recondução do ex-prefeito à chefia do Executivo.

“De maneira alguma, pois houve um processo de cassação pela Câmara dos Vereadores e que a mesma encontra-se em validade”, explicou, não escondendo a possibilidades de entrar com um novo pedido de cassação para manter Prócida longe da Prefeitura.