Artista plástico nigeriano expõe neste sábado em São Vicente

Mostra do artista radicado na cidade traz 14 pinturas em técnicas diversas e pode ser visitada entre os dias 17 de maio e 7 de junho no IHGSV

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14 MAI 2021Por Da Reportagem12h30
Augustine Kawoh, também conhecido como Austin, é mergulhador e artista plástico expressionista contemporâneo, africano e autodidata, nascido na Nigéria, na cidade de Lagos, em 1982.Augustine Kawoh, também conhecido como Austin, é mergulhador e artista plástico expressionista contemporâneo, africano e autodidata, nascido na Nigéria, na cidade de Lagos, em 1982.Foto: Grupo Vapalu/ Divulgação

Por meio da pintura figurativa, Augustine Kawoh, mais conhecido como Austin, expressa os desafios e lutas da vida, contando histórias de personagens fortes e espiritualizadas, sobretudo de mulheres, crianças e famílias africanas, em traços ágeis, cores fortes e vibrantes, com técnicas diversas: acrílico sobre tecido de juta; aquarela e caneta esferográfica sobre papel; corretivo líquido no papel preto; colagem. 

“Amor – História não contada II” tem vernissage virtual no dia 15 de maio (sábado), das 17h30 às 19h, com transmissão na página do Facebook do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV). Durante a abertura, haverá a apresentação do coral Kuimba, com repertório baseado em canções populares de matriz africana, mais especificamente, de Angola.

Com curadoria de Vanessa Rajomes, e realização do Grupo Vapalu, por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, via Secretaria Municipal de Cultura de São Vicente, a exposição fica em cartaz de 17 de maio a 7 de junho, das 9h às 12h, e das 14h às 17h, no Casarão do Barão, dentro do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV) – Rua Frei Gaspar, 280, Centro, São Vicente. A entrada é gratuita. 

Entre as pinturas expostas, estão: Aqualtune (80x100), acrílico sobre tecido de juta com artesanato pergolado de cocal e caneta hidrográfica, na qual Austin retrata a princesa Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, trazida ao Brasil como escrava reprodutora; e A Redenção (80x100),técnica mista de acrílico sobre tecido de juta na tela com artesanato de cocal e caneta hidrográfica, que traz o retrato dos filhos do ator Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, Bless e Títi que são adotivos do Malawi, na África, junto com Zyan, filho de sangue do casal – por meio desta tela, Austin coloca em foco a discussão sobre adoção internacional de crianças, sobretudo aquelas advindas de países pobres do continente africano. “Eu pinto o meu povo e a minha história”, diz o artista.

SOBRE AUGUSTINE KAWOH (AUSTIN) 

Augustine Kawoh, também conhecido como Austin, é mergulhador e artista plástico expressionista contemporâneo, africano e autodidata, nascido na Nigéria, na cidade de Lagos, em 1982. É casado com a brasileira Dayana Kawoh, com quem tem uma filha, Pérola, e está à espera de Rute, a segunda filha do casal. 

Apesar de nunca ter frequentado uma escola de arte, Austin reconhece que aprendeu a pintar aos 9 anos, com o pai costureiro. Começou a trajetória profissional na sua cidade natal, quando passou a vender suas pinturas para redes de hotéis, incentivado por um amigo. 

Formado em Marketing, veio ao Brasil para estudar mergulho na Fefis (Faculdade de Educação Física de Santos). Depois de oito anos morando na cidade de São Vicente, se naturalizou e fez do Brasil o seu lar. Vindo de um país colonizado pelos ingleses, Austin ainda está aprendendo a dominar a nossa língua. “Eu penso em inglês e falo em português”, revela. 

 

EXPOGRAFIA DE “AMOR - HISTÓRIA NÃO CONTADA II” – palavras da curadoria

“Foi um imenso desafio compor a expografia, tendo em vista o momento tão difícil em que estamos vivendo, de extrema polarização política e social. Famílias se reinventando dentro de suas casas; casais descobrindo, depois de tantos anos juntos, que não se amam mais; muitas vidas sendo ceifadas por esta doença que assola o mundo. Como falar do tema “Amor”? 

É uma grande responsabilidade, ainda mais tendo de descrever a sensibilidade de um artista que, além de transpor em suas obras a imensa admiração pela luta diária das mulheres negras na sociedade pela sobrevivência, tem como missão o desafio de falar do profundo amor de Deus pela humanidade. 

Sobreviver neste mundo é um aprendizado diário, e a mulher é um personagem carregado de simbolismos e sabedoria, com capacidade de renúncia e resiliência, que desenvolveu uma força superior por meio do amor para, instintivamente, lutar pela vida humana.

Muitas destas histórias de lutas passam despercebidas, não contadas ou modificadas, por diversos motivos. Austin, em suas obras, enaltece a beleza interior e a força da mulher e sua importância dentro da estrutura familiar.

A vida é tão breve, como um sopro de vento, mas a humanidade briga a todo o momento.  Há justiça na lei? Somos apenas humanos, sem distinção de cor ou gênero, e gerações de antepassados sangrentos. 

Seria o amor o maior sentido da vida? O que fazemos ou deixamos de fazer por amor? A teologia, psicologia e sociologia tentam explicar este fenômeno universal que une e, por vezes, separa os seres humanos. Salvamos vidas em nome do amor e matamos em nome do amor. É o sentimento mais carregado de significados e vínculos na história de toda a humanidade”.