Artista plástico morador de Santos é premiado na Itália

Além das cores vivas das obras, o artista lança mão também de materiais que muitas vezes são jogados no lixo, para compor o seu trabalho

Comentar
Compartilhar
17 JUN 2019Por Da Reportagem19h30
Costa Villar afirma que cresceu observado os cenários do Dique do SambaiatubaFoto: Divulgação/PMS

A obra de um artista plástico radicado em Santos está ganhando reconhecimento no Velho Continente. No início deste mês, José Maria da Costa Villar ganhou uma menção honrosa na segunda edição do Prêmio Arti Visive "ARTWORK", realizado na cidade italiana de Florença. A pintura, que representa a visão do artista sobre as palafitas, ganhou o título em italiano de Tragica Poetica della Favela.

Nascido em São Vicente e morando em Santos há 50 anos, Costa Villar comenta que cresceu observado os cenários do Dique do Sambaiatuba. "São basicamente as memórias que tenho da minha infância e dos lugares onde brincava. São as minhas raízes", comenta o artista.

Além das cores vivas das obras, o artista lança mão também de materiais que muitas vezes são jogados no lixo, para compor o seu trabalho. Roupas velhas, tocos de madeira, caixas de pizza e até cartazes de supermercados. Tudo vira arte nas mãos do homem de 66 anos, que carrega consigo um lema: "Eu não vivo da arte, eu vivo para a arte".

O colorido, a versatilidade de sua técnica e a inusitada mistura de elementos chamaram a atenção da jornalista e curadora italiana Irene Lorieri, em novembro de 2013, quando esteve no Brasil representando Instituto Ibra. Naquele mesmo ano, graças a uma parceria entre a entidade internacional e a Secretaria de Cultura (Secult) foi promovida uma exposição do italiano Paolo Lapi. A mesma parceria abriu as portas de Costa Villar para galerias europeias.

"Naquele período, eu estava expondo meu trabalho junto ao pessoal do grupo Garagem, na mostra O Sagrado e o Contemporâneo, na galeria Braz Cubas. A Irene viu meu trabalho e perguntou se não poderia fazer uma exposição em Florença. É lógico que eu aceitei", relembra Costa Villar.

Quando o talento e a amizade caminham juntos

Em 2014, a curadora italiana levou 20 trabalhos de Costa Villar para a cidade berço do Renascimento, onde se pode facilmente ver obras de gênios como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Giotto di Bondone. Nos últimos anos, muitas outras pinturas cruzaram o Atlântico, levando o talento do brasileiro para galerias italianas. Tudo isso graças a uma improvável amizade.

"Já se passaram quase seis anos desde a primeira vez que encontrei Irene. Do nada, ela apareceu, apaixonou-se pelo meu trabalho e até hoje apresenta o que eu faço para os europeus. Isso é muito louco", comenta o artista, para depois completar: "Esse prêmio nunca seria possível se não fosse a dedicação dela. Estou mais feliz por ela do que por mim", confessa o artista.

Com celular em punho, Villar mostra que a felicidade pelo prêmio é realmente dividida do outro lado do oceano. "Estou superemocionada. Seu trabalho denúncia tudo isso com sua sensibilidade artística e cores sentimentais", comenta Irene Lorieri em uma mensagem enviada via WhatsApp para o amigo brasileiro. A curadora italiana representou Costa Villar na entrega do prêmio.  

 Portas abertas para arte e visitas

Quem quiser conferir de perto o trabalho de Costa Villar pode visitá-lo em seu sobrado no bairro do José Menino, onde ele transformou a garagem e sua sala em uma pequena galeria. "As portas estão abertas para aqueles que quiserem ver as minhas pinturas e bater um bom papo. Fico sempre muito feliz quando recebo visitas". Contato pelo telefone: (13) 3225-6680.

Colunas

Contraponto