Artigo DL: 'Paulo Alexandre Rousseff', por Paulo Schiff

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27 MAI 2016Por Diário do Litoral17h11
Foto: Matheus Tagé/DL

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apresentou os números do rombo nas contas públicas do Governo Federal para 2015: R$ 170 bilhões. A apresentação tinha um tom de denúncia porque esse descalabro foi gestado na administração de Dilma Rousseff.

 No começo desta semana, o secretário de Finanças de Santos, Álvaro Filgueiras, e o de Gestão, Fábio Ferraz, apresentaram os números do rombo nas contas públicas da cidade neste ano: R$ 68 milhões. A apresentação teve tom apenas de anúncio porque o rombo foi gestado nessa gestão.

São rombos equivalentes. O federal está estimado em 2,75% da arrecadação prevista. O de Santos, de 2,66%.
 
Há outras semelhanças. Uma delas, evidentemente, está na miopia gerencial. Um estagiário de segundo ano de Economia poderia explicar para Dilma Rousseff que captar dinheiro no mercado pagando 14,25% de juros para emprestar para o setor automobilístico a 5,5% não ia dar certo.

Um estagiário de segundo ano de Administração Pública também explicaria ao prefeito Paulo Alexandre que num orçamento com 29% comprometidos com a Saúde (a determinação na Constituição é de no mínimo 15%), não caberia incluir mais um hospital, o dos Estivadores, com custeio estimado em R$ 10 milhões por mês e onde a reforma consumiu quase R$ 50 milhões e os equipamentos, outro tanto.

Os números alertaram tanto a presidente quanto o prefeito de que essa trilha orçamentária levava ao precipício. Dilma, para fechar 2014, pedalou com a cumplicidade do Banco do Brasil e da Caixa Federal e pode perder o mandato por isso. Paulo Alexandre só fechou 2015 porque teve o auxílio luxuoso do governador Alckmin. A renovação do contrato com a Sabesp, que só Santos teve na região, colocou R$ 25 milhões no cofre e adiou a explosão do rombo.

As justificativas também guardam semelhança. Dilma joga a responsabilidade pelo desequilíbrio orçamentário brasileiro para a crise internacional. O prefeito de Santos responsabiliza a crise brasileira pelo desequlíbrio municipal.  

Tem um quesito em que a presidente afastada, por incrível que pareça, leva vantagem em relação ao prefeito de Santos. Dilma levou cinco anos para levar as contas do país a esse desastre. Paulo Alexandre foi mais rápido. Precisou de apenas três anos de mandato para levar as contas da cidade a esse nocaute.