Levantamento da Fapesp em 30 praias de São Paulo aponta cenário crítico de erosão e obriga a prefeitura de Santos a planejar obras de engorda da areia. / Nair Bueno/DL
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O litoral paulista figura entre as regiões mais vulneráveis do Brasil à erosão costeira acelerada e à ocupação urbana descontrolada.
Um levantamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realizado em 30 praias do estado, confirma que a faixa de areia está diminuindo rapidamente em diversos municípios, com a urbanização à beira-mar apontada como principal fator de degradação.
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A pesquisa, concluída em 2025, demonstra uma relação direta: quanto mais intensa a ocupação humana, maior a perda de areia. O avanço sobre a costa tem comprometido ecossistemas costeiros únicos, afetando fauna e flora nativas e reduzindo a resiliência natural das praias.
Em Santos, a situação é agravada por um conjunto de intervenções humanas. “Temos um aumento significativo de embarcações, o aprofundamento do canal de navegação e a própria urbanização. São vários fatores que contribuem para um desequilíbrio. Perdemos muita areia em um trecho e ganhamos em outros”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Glaucus Farinello em entrevista ao Portal R7.
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Após uma forte ressaca em julho de 2025 que danificou parte do calçadão, a prefeitura planeja ações de contenção. A ideia é reforçar e ampliar os paredões de proteção no trecho mais afetado e estudar a engorda artificial da praia com depósito de areia, técnica semelhante à usada em Balneário Camboriú (SC).
O problema não se restringe a São Paulo. Uma pesquisa internacional coordenada no Uruguai, que analisou mais de 300 balneários ao redor do mundo, projeta um cenário alarmante, até 50% das praias do planeta podem desaparecer até o final do século XXI se não forem adotadas medidas efetivas de gestão costeira e mitigação das mudanças climáticas.
Os dados reforçam a urgência de políticas públicas integradas que combinem controle do uso do solo, recuperação de ecossistemas (como restingas e manguezais) e obras de engenharia costeira sustentáveis.
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Sem uma mudança de rumo, a paisagem do litoral paulista, e de muitas outras regiões turísticas e habitadas, pode ser irremediavelmente transformada nas próximas décadas.