Área do Porto deve avançar pela Vila Mathias e Macuco

A intenção está na nova Proposta de Lei Complementar de Uso e Ocupação de Solo (PLC-0026/18), enviada pelo Executivo, e que ainda se encontra em apreciação

Está nas mãos dos 21 vereadores santista a decisão de permitir que várias ruas dos bairros de Vila Mathias e Macuco passem a ser uma extensão do Porto de Santos, permitindo o tráfego intenso de caminhões, operação e depósito de contêineres e todo o tipo de movimentação de cargas. A intenção está na nova Proposta de Lei Complementar de Uso e Ocupação de Solo (PLC-0026/18), enviada pelo Executivo, e que ainda se encontra em apreciação da Comissão de Justiça e Redação do Legislativo.

Continua após a publicidade

Segundo extenso documento, vários quarteirões entre as ruas Silva Jardim e Manoel Tourinho, começando na Rua Luiza Macuco e terminando na Gervásio Bonavides, passarão a ser considerados Faixa de Amortecimento do Porto e, ainda, um  quadrilátero entre a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e a Rua Xavier Pinheiro, e entre a Padre Anchieta e a Manoel Tourinho se tornará Zona de Indústria e Retroporto.

O comerciante João D´Aurea Júnior e o morador Hugo Bráz revelam os prejuízos que a PLC-0026 vai causar caso seja aprovada da forma que está. “Estimamos que pelo menos 200 imóveis (casas e prédios residenciais), dezenas de pequenos comércios, centros educacionais, entre outros empreendimentos serão impactados e desvalorizados”, afirma João D’ Aurea.

Continua após a publicidade

Hugo Bráz lembra que na gestão passada (de João Paulo Tavares Papa – hoje deputado federal) houve um estímulo à ocupação e investimentos, como área de renovação urbana. “Muitos campus universitários foram transferidos para lá. O da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) foi instalado na Rua Silva Jardim, que se tornará corredor e estacionamento de caminhões, além de depósito de contêineres. Sem contar que a Hospedaria de Imigrantes, tombada, e os imóveis que não devem resistir à trepidação. A área será degradada e o começo do fim de parte da história de Santos”, afirma.

Comerciante e morador acreditam que existe um amplo interesse de empresários do Porto em desvalorizar a área para poder comprar imóveis mais baratos. Segundo eles, moradores e comerciantes não irão resistir ao impacto. “A nova lei não vai permitir nem creches e postos de saúde numa área em que esses equipamentos são de extrema importância à população carente que vive na região. Um crime está em curso e os santistas não estão sabendo. Por isso, vamos iniciar uma campanha de conscientizam, começando pelos vereadores. Quatro lojas maçônicas também estão no caminho da degradação imobiliária”, afirma Hugo Bráz.

Continua após a publicidade

Eles levantam ainda a possibilidade de parte dos dois bairros, por conta da movimentação e estacionamento de caminhões, virarem palco de prostituição, exploração sexual de crianças e adolescentes e tráfego de drogas.

Eco na Câmara

Continua após a publicidade

O vereador Benedito Furtado (PSB) disse que a proposta é ‘insana’ e  a favor de um amplo debate.  “Há interesses outros que não os da população santista. Vivemos em uma cidade onde a prioridade tem que ser a vida das pessoas. Não podemos permitir mais que o porto avance sobre os bairros da Cidade”, disse em plenário.

O parlamentar disse que os bairros tradicionais estão sendo penalizados há tempos. “Daqui a pouco o Porto chegará ao canal 3”, afirmou, entre outras indignações.

Continua após a publicidade

Prefeitura

O secretário de Desenvolvimento Urbano de Santos, Júlio Eduardo dos Santos, é o adjunto da pasta, Glaucus Farinello, fizeram questão de esclarecer que a proposta não vai causar o impacto urbano denunciado porque as vias já sofrem com o tráfego intenso de veículos pesados, com a instalação de estacionamentos e outros problemas relacionados ao Porto. Revelam ainda a medida é justamente para regrar a situação e proteger moradores e comerciantes. “A área em questão já é considerada zona portuária e industrial. A alteração feita somente dividiu porto organizado (que dá acesso à água) de área de suporte, que ficou denominada área industrial e retroportuária. Na prática, não mudou nada”, garante Farinello.

Continua após a publicidade

Com relação à faixa de amortecimento, os representantes da Prefeitura revelam que a intenção é promover a divisão entre uma área mais impactante e outra de uso comum, e que o uso residencial é mínimo, pois a maioria já utiliza os imóveis de forma industrial, retroportuária, comercial e de prestação de serviços. “Estamos somente regulando, pois os veículos pesados já circulavam livremente, por exemplo, pela Rua Manoel Tourinho, que se tornará exclusiva para acesso de caminhões. A Rua Silva Jardim se tornará uma via limite (de amortecimento), cujos caminhões não poderão circular. A intenção é regulamentar os acessos, o que até hoje não foi feito”, afirma Farinello.

Júlio Eduardo dos Santos ressalta que oito audiências públicas e cinco oficinas preparatórias, sempre em horários acessíveis, foram realizadas, em que todos os segmentos e setores foram ouvidos. “A lei não caiu do céu. Ela vem sendo discutida desde 2013, com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano. Vale a pena ressaltar que qualquer atividade futura na área será autorizada mediante estudo prévio de impacto de vizinhança, que irá filtrar e até impedir impactos futuros”, finaliza.