Apreensão segue para vizinhos do morro Santa Terezinha

Chuvas e risco de novos deslizamentos preocupam moradores no bairro do Marapé

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06 FEV 201511h07

O sentimento de medo e apreensão tem tomado conta de quem vive nas proximidades do morro Santa Terezinha, no bairro do Marapé, em Santos. Com a maior incidência de chuva neste mês, aumenta o risco de novos deslizamentos no local.

Os moradores ainda sentem os reflexos do último grande deslizamento, na madrugada do dia 23 de janeiro. Pedra, lama e vegetação desceram do morro, atingindo casas próximas da encosta. Uma das casas foi da irmã de Ana Cristina. Segundo a moradora, um rompimento em duto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) agravou a situação.

“Um duto da Sabesp rompeu na direção da minha casa e veio descendo uma cascata, com toda força, derrubando tudo. Atingiu a casa da minha irmã, que perdeu tudo, e forçou a casa do meu pai que é conjugada à dela”, contou.

Ana Cristina ainda aguarda alguma solução da Prefeitura. Enquanto isso, convive com a sensação de insegurança. “Até agora estamos aguardando respostas do condomínio particular e da Prefeitura. A Defesa Civil esteve aqui, disse que vai começar um trabalho, mas que é demorado. Enquanto isso, ficamos  morrendo de medo de estar num lugar correndo risco de morte”.

O apartamento de José Antonio Teixeira Martins, situado na Rua Godofredo Fraga, não corre risco de ser atingido. Mesmo assim, se solidariza com os vizinhos. Foi ele um dos primeiros a ligar para os bombeiros na madrugada do último dia 23. Da janela de sua residência, ele enxerga o estrago do deslizamento e fala sobre as consequências acarretadas pelas chuvas dos últimos dias. Ele apontou para duas pedras que, visivelmente soltas, correm risco de deslizar. “É nítido. A Defesa Civil não precisa confirmar. É notório que terão outras quedas”.

Duas pedras com risco de deslizamento em direção à moradias próximas ao morro (Foto: Matheus Tagé/DL)

“A valeta para escoar a água está bloqueada, então a água desce pela rua e enche de terra. Ontem, os moradores retiraram uns 80 sacos de areia que estava acumulada. Está assim desde o deslizamento. Na chuva da última segunda-feira, eu estava na minha mãe, que mora na rua Hércules Florence. Aquilo parecia um rio. Os bueiros jorravam água. Moro aqui há 59 anos e nunca tinha visto isso”.

Ao ver a cena, Martins ligou para a Defesa Civil, que respondeu que “não havia tido deslizamento nenhum”. Ele retornou a telefonar para o órgão no mesmo dia, mas de acordo com o morador “o atendente disse que já estava anotado e que precisava atender outra ligação”.

Dois funcionários da Defesa Civil visitaram o apartamento de José Antonio na última quinta-feira. “Um deles falou: ‘mas aqui não tem risco para o senhor’. Mas eu não estou pensando só em mim. Tem as casas ao lado. Tem o problema da água correndo pela rua. E eles disseram que não podiam fazer nada, que era a lama que descia. Como que não podem? É tudo proveniente dos deslizamentos”, argumentou Martins.

Para ele, pouco foi feito para resolver a situação desde o deslizamento de janeiro. “Em uma sexta-feira eles começaram a tirar a lama. No sábado, de manhã, uns 10 caminhões apareceram. Não sei porque, de uma hora para outra, sumiram. Foram todos embora e cobriram o que está na pista com uma lona preta. Me falaram que o entulho que deixaram com a lona era para servir de apoio para o que ainda vai cair. Quando houver deslizamento, ali iria segurar.  Quem mora perto da encosta não pode conviver com isso. Tem que achar uma solução”.

Prefeitura responsabiliza condomínio

Questionada sobre os problemas no local, a Prefeitura respondeu que o local foi atendido e vistoriado pela Defesa Civil e pelo Instituto Geológico, o qual gerou um relatório de avaliações e recomendações. O Condomínio Privado do Morro Santa Terezinha foi orientado a executar as recomendações preconizadas no documento gerado após o laudo, uma vez que há risco de novas quedas de blocos rochosos no local.

Segundo a Administração, quanto à execução do plano recomendado pelo Instituto Geológico, compete ao condomínio sua implementação, que prevê inclusive a manutenção dos blocos já depositados no acesso, de modo a facilitar a remoção com segurança dos pequenos blocos instabilizados. A Prefeitura ainda informa que uma equipe da Prodesan esteve no local para limpeza de bueiros e galerias.

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