Após um ano, mesmo problema na Vila Verde, em Cubatão

Diário do Litoral volta ao bairro e ouve queixas de moradores. Vereadores criam CEV para tratar de problemas no bairro, principalmente dos alagamentos

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21 MAR 201410h38

Há exato um ano, a reportagem do Diário do Litoral esteve no bairro Vale Verde em Cubatão e ouviu o apelo dos moradores que, já na época, não suportavam mais tantas enchentes no local. Doze meses se passaram e nada aconteceu além de promessas.

Para tentar resolver definitivamente o problema, os vereadores aprovaram por unanimidade, na sessão da última terça-feira, dia 18, uma Comissão Especial de Vereadores (CEV), composta por todos os parlamentares e presidida pelo vereador Aguinaldo Araújo (PDT), que irá tratar exclusivamente deste assunto.

“Sou vereador de toda a cidade de Cubatão, mas tenho também carinho especial pelo Vale Verde, um dos bairros com maior qualidade de vida da cidade”, disse Aguinaldo. Segundo ele, os constantes alagamentos têm causado incômodos e problemas aos moradores da região.

Mesmo com recentes reparos promovidos pela América Latina Logística (ALL), que fez a limpeza dos equipamentos de escoamento de água localizados sob as linhas férreas, o problema ainda não foi solucionado. “Vamos nos reunir com as autoridades competentes para tratar desta questão e melhorar a condição de vida deste bairro”, disse Aguinaldo Araújo.

Morador que teve a casa alagada em enchente apontando até onde a água subiu no ano passado (Foto: Matheus Tagé/DL)

No início deste ano, vereadores e moradores do bairro se reuniram com a prefeita com o intuito de resolver os problemas de alagamentos. O vereador Ivan da Silva (PDT), o Ivan Hildebrando, acompanhou o encontro. Ele participou, antes, da reunião sobre o bairro no gabinete da prefeita. “Nesta reunião, foram determinadas medidas urgentes em relação ao bairro”, disse. Entre as medidas, estava o revestimento do canal do Vale Verde.

Lá atrás

Há um ano, os problemas eram os mesmos. Basta uma nuvem mais carregada aparecer no céu para que cerca de 800 famílias — 3.200 moradores — do Vale Verde e a correria começa.

Os moradores já perderam as contas do número de móveis que perderam e veículos que tiveram que ser reparados em função das águas de março. Alguns chegaram a comprar barcos para escapar das enchentes e auxiliar os vizinhos, principalmente idosos e crianças.

Na oportunidade, o morador Manoel Serpa já denunciava que a situação não muda porque há um jogo de empurra entre o poder público e a iniciativa privada. “Estamos no meio de uma briga entre a Prefeitura e a América Latina Logística (ALL), que tem a concessão da malha ferroviária que margeia o bairro. Ambas não querem assumir a desobstrução e a ampliação da tubulação. E quem sofre é a população”, explica Serpa.

O bairro

Ao pé da grande Serra do Mar e margeando a rodovia, o Vale Verde é uma espécie de condomínio. Ele foi construído na década de 80 e projetado para receber um público de alto poder aquisitivo e substituir o cultivo de bananas, antigo negócio de uma família portuguesa em Cubatão.

Aos poucos o loteamento original teve que ceder espaço para uma sociedade popular, mas conserva ainda hoje o aspecto de condomínio, com direito a muros ao redor do bairro e portaria monitorada na entrada, apesar da passagem ser livre a qualquer visitante.