Após ser reflutuado, navio histórico da Antártida terá futuro definido em Santos

Presidente da APS, Anderson Pomini, garante que o resgate do Professor W. Besnard não teve custo extra

Em coletiva nesta quarta (17), a autoridade portuária confirmou que o destino do navio oceanográfico será decidido em cinco meses/Renan Lousada

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (17), no Parque Valongo, para atualizar a imprensa sobre os trabalhos de resgate do navio Professor W. Besnard e anunciar o início das obras de aprofundamento do Porto de Santos.

Continua após a publicidade

A coletiva ocorreu junto à embarcação histórica, que adernou no dia 13 de março e foi reflutuada na última segunda-feira (15) após intervenções contratadas pela APS.

Futuro do navio será definido em até cinco meses

Pomini explicou que o destino final da embarcação ainda não está definido e dependerá de uma avaliação técnica detalhada. “Ele será fixado aqui, em todo ou em parte, nesse local, no Parque Valongo. A dúvida é exatamente essa”, afirmou. A decisão envolve um alto custo para a recuperação total do navio, e os especialistas precisam avaliar se a estrutura permite a preservação integral ou apenas parcial.

Continua após a publicidade

“Levando em consideração que o navio é privado, a Autoridade Portuária está intermediando essa recuperação principalmente em homenagem à história desse navio, que ficará em todo ou em parte. Essa definição vai depender, em especial, dos custos que estarão envolvidos”, disse o presidente.

O navio será deslocado para um estaleiro nos próximos dias, e a definição sobre seu futuro deve ocorrer em até cinco meses. “Nesse período, em dois ou três meses, a gente vai reunir com os proprietários do navio, associações, aqueles que defendem a história desse navio, para decidirmos em conjunto”, explicou.

Continua após a publicidade

Custo da operação não teve acréscimo

Sobre os custos da operação de reflutuação, Pomini esclareceu que, apesar do atraso em relação à previsão inicial, não houve acréscimo no orçamento. “Zero custo. O valor é exatamente o mesmo. O que nós contratamos foi a prestação de um serviço e não por um prazo específico”, afirmou. O contrato com a empresa Marfort Serviços Marítimos, no valor de R$ 8,6 milhões, prevê também o traslado para o estaleiro e seis meses de locação da embarcação.

O presidente da APS aproveitou para pedir o apoio da comunidade portuária para a recuperação do navio. “Que a história não pertence ao porto, não pertence a uma prefeitura ou ONG que administra esse navio, mas pertence ao Brasil. Daí a importância de trabalharmos em conjunto para homenagearmos a história desse navio”, afirmou.

Continua após a publicidade

Aprofundamento do Porto de Santos

Além do resgate do Professor Besnard, Pomini falou sobre o início das obras de aprofundamento do Porto de Santos. O contrato foi assinado na sexta-feira (12) com a empresa Jan de Nul do Brasil, no valor de R$ 617,9 milhões. A obra aumentará a profundidade do canal de navegação dos atuais 15 metros para 16 metros.

“É um investimento que estamos fazendo de quase 620 milhões, que atende ao planejamento de expansão do Porto de Santos, para que a mais moderna frota de navios cargueiros do mundo possa acessar sem dificuldade os terminais, aumentando a produtividade e diminuindo custos”, destacou Pomini.

Continua após a publicidade

A última obra de aprofundamento do canal ocorreu há 14 anos, e a nova intervenção deve ser concluída em cinco anos, com manutenção do novo gabarito por mais dois anos.

Uma embarcação histórica

Construído em 1966 na Noruega e entregue ao Brasil em 1967, o Professor W. Besnard foi utilizado por cerca de quatro décadas em pesquisas do Instituto Oceanográfico da USP. A embarcação recebeu o nome do cientista Wladimir Besnard, um dos responsáveis pela criação do então Instituto Paulista de Oceanografia.

Continua após a publicidade

O navio participou de mais de 150 expedições científicas e coletou cerca de 50 mil amostras de organismos marinhos. Entre suas missões históricas está a primeira expedição brasileira à Antártida, realizada na década de 1980.

Em 2008, sofreu um incêndio na Baía de Guanabara e foi transferido para Santos. A USP doou o navio para a prefeitura de Ilhabela em 2016, com a proposta de transformá-lo em recife artificial, projeto que nunca saiu do papel.