Uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do Brasil voltou a avançar e promete transformar a mobilidade, a economia e o turismo da Bahia.
A futura Ponte Salvador–Itaparica, considerada a maior estrutura sobre lâmina d’água da América Latina, deve ter sua construção iniciada em junho e já começou a movimentar uma gigantesca operação logística internacional
Um navio carregado com mais de 800 toneladas de equipamentos partiu da China para Salvador para dar inicio a a fases inicial do projeto.
A embarcação saiu do país asiático no dia 30 de março, transportando 44 contêineres abastecidos com peças e materiais que serão usados na implantação inicial.
Espera-se que este equipamento fortaleça a estrutura operacional necessária para os 12,4 quilômetros da ponte a serem construídos na Baía de Todos os Santos.
Com orçamento aproximado de R$ 15 bilhões, a ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica deve beneficiar diretamente cerca de 10 milhões de pessoas em 250 municípios baianos, o que equivale a aproximadamente 70% da população do estado.
Espera-se que o projeto crie aproximadamente 7.000 empregos e desenvolva setores-chave, incluindo turismo, comércio, logística e engenharia civil.

Discussões do projeto e impacto no transporte
O projeto é considerado pelo governo baiano como um dos maiores investimentos em infraestrutura na história do estado.
Além da ponte principal sobre o mar, o empreendimento prevê 4,4 quilômetros de acessos viários em Salvador, uma nova via expressa de 22 quilômetros na Ilha de Itaparica e a duplicação de trechos da rodovia BA-001.
A intenção do projeto é reduzir drasticamente o tempo de viagem entre Salvador e os municípios do sul da Bahia.
Até agora, grande parte da travessia depende da balsa, que frequentemente sofre com longas filas, condições climáticas adversas e demanda turística durante feriados e períodos de férias.
Em termos de custos para os usuários, o pedágio na futura ponte provavelmente será próximo ao da balsa para veículos pequenos, em torno de R$ 64,70 nos dias de semana e acima de R$ 90 nos fins de semana e durante o tráfego de feriados.

A tecnologia chinesa mais inovadora na América Latina
Uma característica notável do projeto é a engenharia envolvida na construção da estrutura. Haverá uma plataforma operacional provisória trazida da China, um procedimento neste momento considerado novo na arquitetura latino-americana.
A nova estrutura atuará como uma espécie de canteiro de obras móvel que ficará no fundo da Baía de Todos os Santos, fornecendo aos trabalhadores, máquinas e alimentos de que precisarão durante a construção.
A plataforma será realocada e, por fim, desmontada para reutilização de materiais à medida que o trabalho continua.
Esse sistema pode reduzir a quantidade de embarcações de apoio em até 70%, de acordo com a concessionária responsável, e torna o cronograma muito mais eficiente.
As frentes de trabalho começarão ao mesmo tempo em locais diferentes: na Ilha de Itaparica, a plataforma móvel será montada a partir da costa; em Salvador, uma frente diferente avançará em direção ao centro da travessia; e no centro da baía, as principais colunas da ponte e o maior vão da ponte serão colocados.
Dimensões gigantescas e prazos do empreendimento
A dimensão do projeto impressiona pelos seus números. Equipamentos especializados como rebocadores, navios de cravação de estacas e maquinários pesados virão da China, enquanto grande parte dos materiais de construção será produzida no próprio Brasil.
No total, aproximadamente 660.000 metros cúbicos de concreto serão empregados para a construção de algo em torno de sete estádios e meio do Maracanã.
Outro avanço importante ocorreu em abril, quando a concessionária Ponte Salvador–Itaparica, formada pelas gigantes chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), protocolou os pedidos de alvará junto às prefeituras de Salvador e Vera Cruz para o início dos trabalhos preparatórios.
A primeira fase já possui já possui licenciamento ambiental para a implantação das estruturas provisórias, enquanto a construção definitiva ainda depende de liberações complementares dos órgãos ambientais estaduais.
Caso o cronograma seja mantido, a entrega é esperada para 2031. Além disso, após a conclusão do trabalho da concessionária, eles continuarão a operar a ponte por mais 29 anos, conforme especificado no contrato de concessão.
A conexão entre Salvador e Itaparica tem sido uma questão de discussão por mais de sessenta anos e foi transferida por diferentes administrações sem resultados reais.
Agora, com equipamentos vindos da China, bem como a proximidade do início das operações, a Bahia consolida a expectativa de finalmente entregar um dos maiores projetos de infraestrutura do país.