Apenas 153 pessoas opinaram sobre regras para uso de IA em escolas do Brasil; veja como participar

Conselho Nacional de Educação abre consulta pública sobre Inteligência Artificial nas salas de aula

Imagem gerada por Inteligência Artificial de crianças estudando em notebooks

CNE discute regras para o uso de IA em escolas e universidades/Imagem gerada por IA

O Diário do Litoral descobriu nesta quarta-feira (3) que apenas 153 pessoas responderam à consulta pública do Conselho Nacional de Educação (CNE) para discutir como a Inteligência Artificial (IA) deve ser utilizada nas escolas e universidades brasileiras. O prazo para participação segue aberto até 17 de junho de 2026, por meio da plataforma Brasil Participativo.

A iniciativa busca reunir sugestões para a criação de diretrizes nacionais sobre o uso da IA nas instituições educacionais do país. O texto em debate foi elaborado por uma Comissão Bicameral do CNE e propõe regras para a adoção, o uso e a governança da tecnologia na educação básica e no ensino superior.

A minuta indica que a IA tem potencial para transformar a educação, além de aprimorar práticas pedagógicas, métodos de avaliação, gestão escolar e produção de conhecimento. Ao mesmo tempo, o documento destaca a necessidade de que essa incorporação ocorra de forma ética e alinhada à legislação brasileira, especialmente em relação à proteção de dados pessoais e à redução de riscos associados ao uso de sistemas automatizados.

Proposta educacional

Entre os principais pontos da proposta está a atuação dos professores deve permanecer no centro do processo educacional. O texto ainda prevê diretrizes relacionadas à transparência dos algoritmos, inclusão digital, equidade e supervisão humana das ferramentas tecnológicas.

O documento ainda recomenda que as instituições mantenham registros das decisões relacionadas ao uso da IA, realizem monitoramento contínuo das aplicações e comuniquem à comunidade escolar como as ferramentas estão sendo utilizadas. Além disso, os conteúdos e resultados produzidos por sistemas automatizados deverão passar por revisão humana.

Diretrizes para ensino

Na educação básica, a proposta defende a integração gradual da IA ao currículo como objeto de estudo e recurso pedagógico, além do desenvolvimento de competências digitais e do pensamento crítico.

Já no ensino superior, as orientações incluem o uso da tecnologia em atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da formação de profissionais aptos a compreender os impactos éticos, jurídicos e sociais dessas ferramentas.

A discussão propõe uma classificação das aplicações de IA conforme o nível de risco. Sistemas com potencial de impactar avaliações, decisões acadêmicas ou o tratamento de dados sensíveis seriam enquadrados como de maior risco e, por isso, estariam sujeitos a exigências adicionais, como avaliações de impacto, supervisão reforçada e mecanismos de contestação por parte dos usuários.