Aparentemente, cessar-fogo na Ucrânia está sendo respeitado

Em Donetsk, a maior cidade controlada pelos separatistas pró-Rússia, a noite transcorreu calmamente, uma raridade após meses de bombardeios diários contra áreas residenciais

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06 SET 201412h30

Após mais de quatro meses de violentos confrontos, o cessar-fogo na região leste da Ucrânia era respeitado neste sábado, mas mostrava sua fragilidade, na medida em que os dois lados do conflito acusavam-se mutuamente de violação do acordo.

O coronel Andriy Lysenko, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança ucraniano, disse aos jornalistas que rebeldes dispararam contra forças ucranianas em dez ocasiões após o cessar-fogo entrar em vigor, mas todos os incidentes aconteceram na noite de sexta-feira.

O comandante da Guarda Nacional, Stepan Poltorak, citado pela agência de notícias Interfax neste sábado, disse que embora alguns disparos tenham ocorrido até cerca de 45 minutos após o cessar-fogo, "nesta manhã não ocorreu qualquer violação, de nosso lado, obviamente, ou dos terroristas".

Em Donetsk, a maior cidade controlada pelos separatistas pró-Rússia, a noite transcorreu calmamente, uma raridade após meses de bombardeios diários contra áreas residenciais. Mas Alexander Zakharchenko, o principal líder separatista da cidade, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que o cessar-fogo foi violado com duas rodadas de bombardeios na cidade de Amvrosiivka, cerca de 50 Quilômetros a sudeste de Donetsk.

"Neste momento, o acordo de cessar-fogo não está sendo totalmente respeitado", disse ele.

Na manhã deste sábado, o escritório do prefeito de Donetsk disse que não havia relatos de disparos ou bombardeios na cidade, embora bombardeios tenham sido ouvidos na noite de sexta-feira.

Ucrânia, Rússia e separatistas pró-Kremlin assinaram na sexta-feira um acordo de cessar-fogo em Minsk, capital da Bielorrúsia, num esforço para encerrar os quase cinco meses de sangrentos conflitos na região.

Após mais de quatro meses de violentos confrontos, o cessar-fogo na região leste da Ucrânia era respeitado neste sábado (Foto: AP)

Os negociadores também concordaram com a retirada de todo o armamento pesado, a libertação de todos os prisioneiros e a entrega de ajuda humanitária às devastadas cidades do leste ucraniano.

Se o cessar-fogo se mantiver, será um marco para os dois lados. Os confrontos entre rebeldes pró-Rússia e tropas do governo ucraniano têm devastado a já problemática economia ucraniana, deixaram pelo menos 2.600 civis mortos e centenas de milhares sem casa, segundo estimativas da Organização da Nações Unidas.

Mas líderes ocidentais expressaram ceticismo em relação ao compromisso da Rússia com o acordo. Um cessar-fogo anterior de dez dias, período no qual cada lado acusou o outro de violar repetidamente o acordo, produziu poucos resultados na mesa de negociação.

Estados Unidos e União Europeia (UE) prepararam sanções ainda mais duras contra Moscou e Obama destacou que o meio mais eficiente de garantir o cessar-fogo é seguir adiante com essas medidas e manter a pressão sobre a Rússia.

Segundo um diplomata da UE, essas novas medidas prejudicariam o acesso da Rússia aos mercados de capitais e o comércio de armas e tecnologia de defesa, bens de dupla utilização e tecnologias sensíveis. As novas sanções receberam aprovação na noite de sexta-feira e podem ser implementadas já na próxima terça-feira.

"Se determinados processos entrarem em curso, estamos preparados para suspender as sanções" contra a Rússia, declarou a chanceler alemã Angela Merkel.

A Ucrânia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e países ocidentais acusam a Rússia de apoiar os separatistas com armas, suprimentos e milhares de solados. Moscou nega, mas um militar da Otan disse à Associated Press que o número de soldados russos envolvidos diretamente no conflito aumentou após a estimativa preliminar na aliança, que era de pelo menos 1.000 militares.

Em declaração publicada online neste sábado, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia condenou a intensificação nas sanções pela UE e prometeu que "haverá, sem dúvida, uma reação do nosso lado" a qualquer nova medida. Em agosto, a Rússia aprovou a proibição de importação de carne, frutas, vegetais e derivados de leite da UE, dos Estados Unidos e de uma série de países que impuseram sanções a Moscou.