Ao volante e sem saúde

776 Trabalhadores afastados, 80% por distúrbios psiquiátricos

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04 MAR 201322h40

Em março do ano passado, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou 776 benefícios por afastamento de trabalho a funcionários da Viação Piracicabana que atuam no transporte coletivo, na Baixada Santista. Destes, 768 trabalham em Santos. A concessão de auxílio-doença custou aos cofres do INSS R$ 1.136.482,87, em apenas um mês.

Segundo o médico do trabalho que atuava na Viação Piracicabana, Luiz Alberto Vieira dos Santos Jr, 80% destes trabalhadores doentes sofrem de distúrbios psiquiátricos. Baseada nesses fatos, A Comissão Especial de Vereadores do Transporte Coletivo (CEV), da Câmara de Santos, discutiu a saúde do motorista de ônibus em audiência pública realizada na última quarta-feira, no plenário da Câmara de Santos (sala Princesa Isabel, no Paço). Participaram da audiência, representantes do INSS da Gerência Santos, o médico do Trabalho Luiz Alberto, a secretária-geral da OAB-Santos Tânia Sá e os vereadores Fábio Nunes e Benedito Furtado.

“Além do estresse que enfrentam no trânsito, do acúmulo de função ao dirigir e cobrar a passagem, do medo de assaltos e da falta do cobrador para auxiliá-los, eles trabalham sob a pressão de fiscais e superiores. Chegam até a serem humilhados dentro da empresa”, declarou o médico que está impedido de retornar ao seu posto no Departamento Médico da Piracicabana, devido a denúncia que fez no mês passado sobre as péssimas condições de trabalho a que são submetidos os funcionários da empresa. Luiz Alberto trabalhava na Piracicabana há cinco anos.

Durante a audiência, o médico afirmou que a Piracicabana não promovia regularmente os exames de saúde dos trabalhadores. Segundo ele, os exames para detecção de doença crônica, hipertensão ou distúrbios psicológicos não são realizados uma vez por ano como deveriam.

As causas do número acentuado de afastamentos de trabalhadores estão sendo investigadas pelo INSS. “Fizemos um comparativo com outras empresas e constatamos que o número de afastamentos do trabalho era muito alto. Então a Gerência Santos do INSS fez um levantamento que está sendo investigado pelo Grupo de Inteligência do Instituto, na Capital”, disse Sandra Maria Hamue Narciso, representante do INSS.

A denúncia de Luiz Alberto foi encaminhada ao Ministério Público Federal e ao Ministério do Trabalho pelo instituto de previdência. “Nós entendemos que as denúncias são graves e cabe aos órgãos competentes analisarem e tomarem as providências necessárias junto à empresa”, afirmou o procurador do INSS, Antonio César Mateos.

“Por meio da CEV estamos fazendo força política para sensibilizar as autoridades competentes a corrigirem os graves problemas enfrentados pelos motoristas de ônibus”, afirmou o presidente da CEV, vereador Ademir Pestana.