Ao vivo, júri do caso Mércia Nakashima começa na segunda-feira

Será a primeira vez no País que um júri será transmitido ao vivo por emissoras de rádio, TV e internet

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10 MAR 201318h06

O advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, de 43 anos, começa a ser julgado na segunda-feira (11) em Guarulhos, Grande São Paulo, pela morte da sua ex-namorada, Mércia Mikie Nakashima. Será a primeira vez no País que um júri será transmitido ao vivo por emissoras de rádio, TV e internet.

Ao longo dos próximos dias, acusação e defesa tentarão convencer os sete jurados de que o réu é culpado ou inocente. Enquanto a promotoria o considera "frio" e "psicopata", a defesa o classifica como "um príncipe, pois tem hábitos muito nobres".

Mércia e Mizael foram sócios em um escritório de advocacia e namoraram por quatro anos até setembro de 2009. A advogada foi vista pela última vez na tarde de 23 de maio na casa da avó, durante um almoço de família.

Em 10 de junho, o carro de Mércia, um Honda Fit, foi encontrado na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. No dia seguinte, o corpo foi localizado. Isso foi possível graças ao empenho da família de Mércia, que ajudou nas investigações, e à contribuição de um pescador, que viu o corpo.

O promotor Rodrigo Merli Antunes diz que o conjunto de provas colhido ao longo do processo lhe dá convicção de que Mizael cometeu o crime. Para o advogado Samir Haddad Júnior, porém, as provas são frágeis e Mizael é "incapaz de matar alguém".

Um celular que o réu negou ter no início das investigações é um dos principais trunfos da acusação. O ex-policial usou este número para falar 19 vezes com o vigia Evandro Bezerra da Silva, de 42 anos, apontado como cúmplice, no dia do crime.

A análise da localização das chamadas mostra que, naquele dia, Mizael esteve perto da casa da ex-namorada, no bairro Macedo; da residência da avó dela, no Bela Vista; do Hospital Geral de Guarulhos, onde teria encontrado Mércia, e de Nazaré Paulista.

A perícia do sapato que o ex-policial alega ter usado naquela noite encontrou vestígios de pólvora, sangue, massa óssea e alga Os peritos concluíram que a alga também pode ser encontrada a uma profundidade de 20 centímetros da represa Atibainha. A profundidade seria alcançada por alguém que teve que entrar na água para empurrar um carro, segundo a promotoria.

Por fim, o relatório do GPS do veículo de Mizael teria mostrado que ele ficou estacionado no Hospital Geral de Guarulhos entre 18h37 e 22h12. A defesa alega que o aparelho era defeituoso e que Mizael estava em casa, no bairro Bonsucesso, às 21h21, quando recebeu um telefonema de sua filha. O promotor diz que esse telefonema foi atendido quando o réu voltava de Nazaré.

Antunes tentará usar as provas para refazer os últimos passos do casal. Na opinião dele, Mércia e Mizael se encontraram no hospital às 19h e seguiram, no carro dela, para a represa. Ao chegar no local, às 20h, Mizael atirou em Mércia, acertando seu maxilar. Depois, saiu do veículo e o empurrou para a água. Entre 20h e 20h30, Evandro o buscou e o levou de volta para o hospital Já Haddad Júnior tentará provar que a polícia não explorou todas as possibilidades na investigação e colocou, desde o início, a culpa sobre seu cliente.