A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento indicado para o tratamento e a prevenção de crises de enxaqueca. Trata-se do Nurtec ODT, cuja autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União.
O medicamento, desenvolvido pela Pfizer, tem como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado. Essa molécula pertence à classe dos antagonistas do CGRP, uma proteína diretamente ligada à transmissão da dor e à inflamação durante as crises. O produto age bloqueando a ação dessa substância no cérebro e, dessa forma, ajuda a interromper ou reduzir os sintomas da enxaqueca.
Estudo publicado na The Lancet comprova eficácia
O teste clínico do medicamento conseguiu uma publicação na renomada revista científica The Lancet. O estudo, realizado na fase 3, avaliou a eficácia do comprimido orodispersível (que se dissolve na boca) de rimegepanto em adultos com histórico de enxaqueca. Na pesquisa, os voluntários receberam uma dose de 75 mg do medicamento ou um placebo durante crises de intensidade moderada ou grave.
Cerca de duas horas após a ingestão, os resultados mostraram diferenças significativas. Entre os participantes tratados com rimegepanto, 21% ficaram sem dor. No grupo que recebeu placebo, esse índice foi de apenas 11%. Além disso, a pesquisa também descreveu melhora nos principais sintomas das crises, como náusea, sensibilidade à luz ou ao som, em 35% dos casos tratados com o remédio.
Efeitos colaterais e segurança
Os sintomas colaterais mais comuns relatados pelos voluntários foram náusea e infecção urinária, ambos em baixa frequência. Segundo os pesquisadores, não houve registro de sintomas colaterais graves relacionados aos testes. Portanto, o medicamento apresenta um perfil de segurança favorável para os pacientes que sofrem com enxaqueca.
O que é a enxaqueca?
Aquela dor de cabeça insuportável, que muitas vezes leva ao desespero, é conhecida como enxaqueca. Cerca de 30 milhões de brasileiros, são atingidos por essa doença, sendo que as mulheres são mais prevalentes do que os homens. A base da doença é orgânica e tem conhecida influência genética. Portanto, ela costuma estar presente em pessoas da mesma família.
No entanto, é preciso salientar que o estresse psicológico também pode desencadear crises. Além disso, ele pode piorar a intensidade das dores em pessoas suscetíveis. O fator alimentação também pode desencadear surtos de enxaqueca. Por esse motivo, o consumo de chocolate, vinho, queijos, alimentos defumados, embutidos e conservas pode ser um vilão para uns, mas não para outros. Portanto, a recomendação é observar qual deles age como desencadeador para, assim, evitá-lo.
Além da enxaqueca comum, existe também a chamada cefaleia em salvas. Trata-se de um outro tipo de dor de cabeça, que é mais raro e, também, mais severo do que a enxaqueca. A causa, possivelmente, também está ligada à genética do paciente. As dores são mais intensas em um lado da cabeça ou no rosto durante os surtos.
Ainda ocorrem fenômenos de lacrimejamento e vermelhidão do olho do lado afetado. Além disso, a constipação nasal do mesmo lado também é um sintoma comum. Os especialistas consideram a cefaleia em salvas uma das dores mais intensas que o ser humano pode sofrer. Por isso, é fundamental buscar o diagnóstico de um especialista para identificar corretamente o tipo de dor e iniciar o tratamento adequado.






