O oceano controla o clima do planeta, mas paga um preço alto ao absorver as emissões humanas / Unsplash/Jeremy Bishop
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O oceano está sofrendo com uma espécie de "azia global", e cientistas dos Estados Unidos acreditam ter encontrado um alívio eficaz: a modificação da química das águas para que elas funcionem como um antiácido gigante.
A proposta consiste em lançar substâncias alcalinas, como o hidróxido de sódio, no mar para neutralizar a acidez e permitir que o carbono seja armazenado de forma estável por milênios.
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No entanto, o contra-ataque a esse desequilíbrio químico esbarra em desafios logísticos e financeiros que podem atrasar a solução em segundos.
De acordo com Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, o problema começa quando o CO emitido na atmosfera se dissolve na água, liberando íons de hidrogênio que reduzem o pH marinho.
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Esse processo prejudica seriamente organismos com conchas ou esqueletos de carbonato de cálcio, como corais e moluscos, que têm suas estruturas enfraquecidas em ambientes ácidos.
Turra explica que o oceano controla o clima do planeta, mas paga um preço alto ao absorver as emissões humanas.
Embora a ideia de um "sal de fruta" para os mares pareça promissora, Alexander Turra alerta que a viabilidade não é tão simples quanto dissolver um envelope em um copo d’água.
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Em experimentos de pequena escala, apenas o custo do produto químico pode chegar a R$ 1,3 milhão.
Além disso, a própria fabricação do hidróxido de sódio possui uma pegada energética e ambiental elevada, o que pode acabar gerando mais poluição do que a solução se propõe a resolver.
Além da alcalinização, outras técnicas como a inoculação de ferro para estimular a fotossíntese de micro-organismos também estão no radar da ciência. Contudo, o especialista da USP enfatiza que o caminho mais seguro e estruturante continua sendo a mitigação direta: reduzir o uso de combustíveis fósseis e combater o desmatamento.
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Para o professor Alexander Turra, a proteção dos ecossistemas é a estratégia mais viável a curto e longo prazo. Ele defende a implementação de áreas marinhas protegidas, seguindo a meta global de preservar 30% dos oceanos até 2030.
Essas zonas aumentam a resiliência da biodiversidade contra as mudanças climáticas e garantem serviços ecossistêmicos essenciais.
Para o pesquisador, o sucesso dessa proteção depende de vontade política e do entendimento da sociedade de que um oceano saudável é sinônimo de prosperidade econômica e bem-estar humano.
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