Um novo estudo científico aponta a origem do 'buraco gravitacional' na Antártida / ImageFX
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Um novo estudo científico aponta a origem do chamado “buraco gravitacional” localizado na Antártida, uma extensa área onde a força da gravidade é mais fraca do que a média global. A anomalia, conhecida como Baixo Geoide Antártico (AGL), está situada no Mar de Ross e faz com que o nível do mar na região fique cerca de 130 metros abaixo das águas ao redor.
O fenômeno é observado há décadas por pesquisadores, mas agora um trabalho publicado na revista Scientific Reports apresenta uma explicação detalhada para sua formação ao longo de milhões de anos.
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Segundo os cientistas, a anomalia gravitacional é causada pela distribuição desigual de materiais no interior da Terra. Regiões onde há rochas menos densas exercem menor atração gravitacional, o que influencia diretamente o comportamento da água dos oceanos.
Como a água tende a se deslocar para áreas com gravidade mais intensa, forma-se uma espécie de “depressão” relativa no nível do mar onde a força gravitacional é menor, caso do Mar de Ross.
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Para investigar o fenômeno, os pesquisadores combinaram dados sísmicos de terremotos registrados em diferentes partes do mundo com modelos computacionais que simulam a estrutura interna do planeta. As ondas sísmicas permitiram mapear variações na densidade das rochas abaixo da superfície.
Com base nessas informações, a equipe simulou como a gravidade variaria de acordo com os diferentes materiais presentes no manto terrestre. Os resultados foram comparados com medições de satélites que monitoram o campo gravitacional da Terra.
Os modelos indicam que a anomalia começou a se formar há cerca de 70 milhões de anos, intensificando-se entre 50 e 30 milhões de anos atrás, período correspondente à Época Eocena.
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De acordo com os autores, o “buraco gravitacional” é resultado de movimentos extremamente lentos no manto terrestre. Ao longo de milhões de anos, materiais menos densos teriam se acumulado sob a Antártida, reduzindo a força da gravidade na região.
O fortalecimento da anomalia no Mar de Ross ocorreu no mesmo período em que houve expansão das camadas de gelo no continente. Embora ainda não haja comprovação de relação direta entre os dois processos, os pesquisadores consideram possível que exista alguma conexão.
A Antártida não é o único local com esse tipo de característica. No Oceano Índico, por exemplo, há outra grande anomalia geoide, onde os níveis do mar também apresentam variações significativas em relação às áreas vizinhas.
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