Angela Merkel lança candidatura à reeleição alemã em 2013

Ela também afirmou que está pronta para guiar a Alemanha pelos tempos difíceis que ainda pode enfrentar.

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05 DEZ 201210h24

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lançou nesta terça-feira (04) sua candidatura à reeleição ao apontar que sua administração conseguiu liderar com sucesso o país durante os piores momentos da crise europeia. 

Ela também afirmou que está pronta para guiar a Alemanha pelos tempos difíceis que ainda pode enfrentar. O índice de popularidade de Merkel na Alemanha está alto, com 70% do eleitorado aprovando o governo da chanceler. 
 
Mesmo que vença as eleições gerais de 2013, contudo, ela poderá ter dificuldades em formar uma coalizão de governo, porque o partido minoritário na atual coligação com a União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão), os Democratas Livres (FDP, na sigla em alemão), estão em queda nas pesquisas.
 
Falando no encontro da CDU em Hannover, Merkel afirmou que o desemprego está caindo, a economia alemã ainda está crescendo enquanto outras da Europa estão estagnando ou contraindo. Ela também disse que o déficit foi reduzido. "Nós guiamos a Alemanha para sair mais forte da crise do que ela entrou", disse. "É o governo de maior sucesso desde a reunificação."
 
Em votação interna realizada hoje, Merkel foi reeleita líder da CDU com 97,74% dos votos. A votação na convenção do CDU marca o sétimo mandato de Merkel como líder do partido e é seu melhor resultado até agora. Em sua última eleição, ela recebeu 90,4% dos votos.
 
Uma pesquisa recente mostra Merkel à frente de Peer Steinbrueck, principal candidato do Partido Social Democrata (SPD, nas iniciais em alemão), de centro-esquerda, nas intenções de voto para as eleições gerais na Alemanha, marcadas para o segundo semestre de 2013. No entanto, sondagens indicam uma disputa acirrada para a formação de uma coalizão de governo.
 
Pesquisa feita em 1º de dezembro para o jornal Bild mostrou que a CDU e seu partido irmão de centro-direita do Estado da Baviera, a CSU, estão com 38% das intenções de voto, somados a apenas 4% de intenção de voto no FDP - o que dá um total de 42%. Já o SPD está com 28% das intenções de voto, somadas aos seus aliados de esquerda, os Verdes, com 14% - o que também dá um total de 42%. 
 
Os números do FDP são preocupantes, dizem analistas alemães, porque estão abaixo dos 5% de votos necessários para fazer parte do Parlamento federal. Um possível agravamento da crise da dívida na zona do euro também poderá prejudicar a candidatura de Merkel e seus aliados da centro-direita, diz o analista político Gero Neugebauer, da Universidade de Berlim. 
 
"Quanto mais a crise da dívida na zona do euro piorar, isso terá efeitos sobre o orçamento alemão e a política financeira. Isso deixará claro para os eleitores alemães que sobra menos dinheiro para resolver os problemas do país", diz Neugebauer.
 
Apesar da popularidade de Merkel, ela poderá ter dificuldades em formar um novo governo se vencer em 2013. O parceiro minoritário na atual coalizão de centro-direita da CDU, o FDP, é um partido de empresários que está com a popularidade ruindo entre o eleitorado. É possível que o FDP não conquiste nem o número mínimo de cadeiras para fazer parte do Parlamento federal alemão.
 
A cúpula ocorreu hoje em Hannover, Estado da Baixa Saxônia e governado por David McAllister (CDU) que tentará a reeleição em janeiro de 2013. McAllister e Merkel discursaram para os correligionários e gritaram o slogan: "Uma Alemanha Forte. Oportunidades para todos!".
 
Merkel disse aos delegados da CDU acreditar que a Europa deu passos significativos para arcar com a crise do euro, mas alertou que a complacência é perigosa. Segundo ela, a Europa "ainda tem decisões difíceis pela frente" e não deve confiar em "curas milagrosas" como os eurobônus. "Precisamos ter cautela" ela disse. "É fácil para mim dizer que o euro está salvo, mas eu tenho muito receio em dizer que o pior já passou".

O índice de popularidade de Merkel na Alemanha está alto, com 70% de aprovação (Foto: Divulgação)

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