Analista aponta prejuízo de mais de R$ 1,25 bilhão em balanço da Codesp

Relatório com dívida bilionária dá indícios de privatização, diz especialista

O balanço financeiro de 2019 divulgado pela Santos Port Authority (SPA) durante a primeira quinzena de junho dá indícios cada vez mais claros de que a empresa está sendo preparada para a privatização. Ao menos foi essa a conclusão à qual um consultor em finanças de Santos chegou após analisar todos os relatórios econômicos da empresa.

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Jornalista, professor e especialista em finanças públicas, Rodolfo Amaral fez carreira realizando a prestação de serviços para mais de 150 administrações municipais, órgãos públicos e empresas privadas. Ele apontou detalhes importantes ao analisar o balanço da antiga Codesp, que pode ser encontrado no site http://www.portodesantos.com.br/ na aba de ‘acesso à informação’.

“O fato mais relevante que vejo no Balanço de 2019 foi o reconhecimento contábil da Codesp ao Portus, no valor de R$ 1,082 bilhão; foi isto que elevou o prejuízo acumulado de R$ 464,4 milhões para R$ 1,259 bilhão”, explica.

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Rodolfo prossegue afirmando que apesar de não estar no balanço de 2019, a empresa não recebeu, em sua totalidade, uma verba que era esperada para o ano.

“Não consta do Balanço de 2019, mas, na verdade, a Codesp deixou de receber do Governo Federal R$ 220,1 milhões para investimentos. O Orçamento da União previa um repasse de R$ 226,3 milhões, mas só foram repassados R$ 6 milhões. Também houve uma ligeira redução do quadro de pessoal, de 56 funcionários, com a diminuição de R$ 11,4 milhões na folha anual, mas o salário médio da empresa, de R$ 11.822,30 ainda é muito elevado para o mercado. São estas as ponderações mais importantes que posso fazer. Percebe-se, de fato, que a empresa está sendo preparada para a privatização”, afirma o jornalista.

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O analista prossegue afirmando que a redução de pessoal atrelada ao fato de que a Codesp passou a demonstrar as contas negativas são fortes indícios do início do processo de privatização.

Na cidade, o assunto já não é recente, e, no fim de 2019, a deputada federal Rosana Valle (PSB/SP) convocou audiências públicas na Comissão de Viação e Transportes (CVT), da qual é membro titular, para discutir quais as propostas e modelos que o Governo Federal pretende implantar em uma possível privatização do Porto de Santos.

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“No ano passado, reconheceram no balanço as perdas vinculadas a créditos com a Libra. Isto gerou o prejuízo de R$ 464,4 milhões. Este ano, passaram a contabilizar oficialmente a dívida com o Sistema Portus e, além disto, estão incentivando o desligamento de pessoal antigo da empresa. Isto tudo é para ajustar as contas da empresa a realidade e assim ter elementos fiéis para colocar seu patrimônio à venda”, afirma Rodolfo.

“A Codesp, se pegarmos os balanços anteriores, ela sempre citava nas notas explicativas o reconhecimento da dívida que ela possuía com o sistema Portus, que, aliás, chegou-se a falar em R$ 2 bilhões, há estudos que apontavam isso. Neste ano, em função destas negociações que ocorreram entre patrão e empregados, do sistema Portus, ela resolveu reconhecer essa dívida oficialmente, embora em um valor de apenas R$ 1.082 bilhão. Isso passou a constar no chamado ‘passivo não circulante’, que são dívidas de longo prazo que a empresa reconhece que possui. Isso foi importante porque demonstra que a empresa agora reconhece diante do sistema Portus oficialmente, dentro da sua contabilidade e não apenas em notas explicativas, que deve pelo menos esse valor aos funcionários aposentados ou pensionistas que dependem do sistema Portus”, disse.

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“Foi um fato relevante porque era algo que estava sendo ‘empurrado com a barriga’ e quem quiser adquirir a empresa amanhã, ou depois, vai adquiri-la sabendo do grau de endividamento que a empresa possui. Para mim, foi o fator mais relevante”, finaliza o especialista em finanças públicas. (LG Rodrigues)