Cotidiano
Com produção de 54,17 mil toneladas e alta de 4% em 2025, estado movimenta quase meio bilhão de reais e agora reforça defesa sanitária contra o TiLV
O Tilapia Lake Virus (TiLV) é um patógeno com taxa de mortalidade de até 90% / Divulgação
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O Governo de São Paulo anunciou a ampliação do monitoramento técnico e sanitário sobre o fluxo internacional de pescado. A medida visa proteger a tilapicultura paulista, que vive um momento de consolidação e crescimento.
Em 2025, a produção no estado atingiu 54,17 mil toneladas, uma alta de 4% em volume, movimentando quase R$ 500 milhões, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).
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São Paulo é hoje o segundo maior produtor nacional da espécie, atrás somente do Paraná, e possui a estrutura industrial mais robusta do país, com 21 frigoríficos que processam 86% do abate estadual. O setor opera com mais de 12 mil tanques-rede em reservatórios, modelo que garante escala, mas exige vigilância redobrada devido à exposição a riscos sanitários.
O principal alvo do monitoramento é o Tilapia Lake Virus (TiLV) , um patógeno com taxa de mortalidade de até 90% , já registrado na Ásia, África e Oriente Médio. Por ser um vírus de rápida disseminação, sua introdução no Brasil poderia devastar a produção em reservatórios abertos, modelo predominante no país.
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“Diferentemente de alguns países asiáticos que utilizam estruturas isoladas, o modelo brasileiro em reservatórios abertos exige vigilância constante. O controle na origem e o monitoramento do fluxo internacional são fundamentais”, alertou Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.
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O secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, destacou que proteger o status sanitário é uma questão de segurança alimentar e econômica. “Nossas equipes de sanidade e pesquisa são fundamentais para definir estratégias que permitam o avanço contínuo da cadeia”, afirmou.
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As instituições estaduais, como o Instituto de Pesca (IP-APTA) e a Defesa Agropecuária, intensificaram protocolos de biossegurança e rastreabilidade. Para a coordenadora do IP, Cristiane Neiva, a prevenção é o pilar da sustentabilidade. “A introdução de enfermidades exóticas pode comprometer toda a estrutura industrial e os empregos associados”, alertou.
A iniciativa paulista acompanha o movimento do Ministério da Agricultura (MAPA) , que em 2024 suspendeu cautelarmente importações de determinados mercados para realizar uma Análise de Risco de Importação (ARI).
A relevância da tilápia para a economia paulista é tanta que, em 2025, a espécie foi oficialmente incorporada ao Valor da Produção Agropecuária (VPA)do estado, consolidando-se como a proteína de pescado mais consumida pelos paulistas. A medida agora reforçada busca garantir que esse protagonismo não seja ameaçado por riscos sanitários externos.
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