Alunos da EE Barnabé e comunidade lamentam pintura de muro

A direção da Escola Barnabé pintou o muro frontal de branco apagando as ilustrações, atendendo deliberação do CONDEPASA

Comentar
Compartilhar
22 JAN 201323h37

Desde o último dia 4, quem passa pela Avenida São Francisco, no Centro de Santos, em frente à centenária Escola Estadual Barnabé, vê um muro branco onde antes havia arte em grafite. A direção da instituição de ensino providenciou a pintura do muro atendendo à deliberação do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (CONDEPASA).

A presidente do Grêmio Estudantil da escola, a aluna Laís Regina Alves Araújo, afirma que as gravuras homenageavam personagens ilustres da Cidade, e a arte em grafite foi uma iniciativa dos próprios alunos da escola. As pinturas que ilustravam o muro foram feitas pela ong Proeco, de São Vicente. ”Nós chegamos na escola na quarta-feira e ficamos indignados com o muro branco. O muro grafitado contava um pouco da história da Cidade.

Um dos desenhos mostrava alunos com uniforme de 1902. Então, além de não ter mais um pouco da história da escola e da Cidade, o muro poderá ser pichado”, diz a aluna que receia a ação de vândalos.

O presidente da Sociedade de Melhoramentos do Monte Serrat, João Benício, afirma que a comunidade do bairro também é contrária ao muro branco. “Praticamente todas as crianças do bairro estudam na Escola Barnabé e estamos todos indignados com a retirada do muro em grafite”, declarou João.

“Não queremos pichadores na escola. E a arte em grafite era uma forma de preservar a escola”, diz João. “Há 25 anos a comunidade participa da escola e a escola da comunidade. Cuidamos de tudo que existe no entorno dela”, enfatizou.

De acordo com João, a pintura em grafite homenageava Vicente de Carvalho, José Bonifácio e Barnabé. “Lei é para ser cumprida, mas nem o Barnabé que doou a escola ao Estado pôde ficar pintado no muro”, disse o representante da comunidade.

Patrimônio protegido

O órgão técnico de apoio do CONDEPASA esclareceu que a pintura do muro de branco foi uma deliberação do Conselho, como medida de preservação do patrimônio.

O imóvel, que se tornou escola em 1902, tem nível de proteção 1 (NP-1), conforme explicou o órgão do CONDEPASA. Assim como no processo de tombamento, o nível de proteção 1 não permite a descaracterização externa e interna de um imóvel protegido.

“O CONDEPASA considerou que o muro frontal faz parte do conjunto arquitetônico, e que aquela arte em grafite interferia no conjunto”, esclarece o órgão técnico.

De acordo com o CONDEPASA, a decisão do Conselho considerou ainda que havia recebido um ofício da escola solicitando a manutenção da pintura em grafite e não a licença para fazer o trabalho, que já existia há quatro anos. “A manutenção foi indeferida porque a pintura em grafite foi feita sem o prévio consentimento do Conselho”.

A escola não é tombada em Santos, mas é objeto de estudo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT).

Escola Barnabé

A E.E. Barnabé foi criada por decreto estadual no dia 5 de maio de 1902. O imóvel foi construído com dinheiro doado por Barnabé Francisco Vaz de Carvalhais.