Cotidiano
É o que garante o hipnoterapeuta Helvecio Guasti Júnior, Ph.D em Hipnoterapia pela Faculdade de Psicologia da Bircham International University (EUA), que desenvolveu a Terapia de Memória Celular.
O hipnoterapeuta Helvecio Guasti Júnior. / Rodrigo Montaldi/DL
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A vida corrida, as pressões do dia a dia, cobranças pelo cumprimento de metas no trabalho, frustrações, estresse, fobias, traumas, relações tóxicas, famílias desestruturadas, perdas de entes queridos, separações, desilusões. A lista é longa e muita gente enfrenta isso todo dia. Todas essas situações e fatores geram uma série de emoções fortes que podem deixar as pessoas doentes. A emoção pode ser um gatilho importante para a depressão, o transtorno de ansiedade, a síndrome do pânico, entre outros transtornos mentais.
Mas, a emoção gerada por uma situação ruim vivida pode ser modificada devolvendo ao paciente qualidade de vida e felicidade. É o que garante o hipnoterapeuta Helvecio Guasti Júnior, Ph.D em Hipnoterapia pela Faculdade de Psicologia da Bircham International University (EUA), que desenvolveu a Terapia de Memória Celular. A eficácia da Hipnose Clínica e da técnica aplicada por Helvecio no tratamento de transtornos mentais é o assunto de hoje do Papo de Domingo.
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Diário do Litoral – Como a Hipnose Clínica funciona?
Helvecio Guasti Júnior – Para tratamento nós precisamos dos bancos de memória funcional. Então, como é a hipnose de consultório? É feita uma indução via relaxamento onde a pessoa entra num estado alterado de consciência que seria muito parecido com estar assistindo a um filme ou seriado, que nós gostamos muito. Você entra naquela história, mergulha ali e você sabe que estão filmando, que é uma mentira, que tem atores, que tem maquiador, que tem câmera, mas você compra aquela ideia, você sai da realidade da sua sala. Então, nós entramos em transe hipnótico a cada momento, naturalmente.
É um leve instante que a gente relaxa e volta. Então, qual é a grande ideia? Utilizar essa propriedade do ser humano de focar em uma única coisa e utilizar isso para tratamento. Hipnose é foco e concentração. É errada a ideia de que a hipnose é fazer a pessoa “apagar”, entrar num estado onde ela não tem controle. Isso abre um precedente para que nós consigamos desenvolver ferramentas novas onde não existe a ideia de um relaxamento.
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Diário - Você usa algum objeto para levar a pessoa ao transe? Um pêndulo?
Helvecio – Não. Isso era muito utilizado na Hipnose Clássica. A clássica é aquela ideia de palco, de espetáculo. Há muito tempo atrás se usava, às vezes, um pêndulo, um anel, o reflexo de um anel, alguma coisa que focasse na atenção. Dá para usar, só que é ineficaz.
Diário - O que é a Terapia de Memória Celular que você desenvolveu?
Helvecio – A minha Terapia de Memória Celular é mais complexa que só uma ferramenta de indução. É um mecanismo, onde, de olhos fechados, totalmente racional, sem um breve relaxamento, a pessoa vai conseguir acessar as cenas com precisão absoluta. Só numa conversa, de olhos fechados. Então, ela me traz a cena vivida. Digamos que eu fui abusado com 20 anos de idade. Passei por toda aquela experiência horrorosa. Existem duas maneiras de eu lembrar aquele evento. Eu tenho duas memórias gravadas no cérebro: a racional e a emocional. O cérebro humano junta essas duas memórias, lendo o racional e levanta a emoção que envolveu. As psicoterapias todas abordam o racional, seja através de conversa ou de mudança de comportamento para mudar um padrão automático emocional.
Dividindo grosseiramente o cérebro em dois, 5% equivale ao racional, 95% equivale ao inconsciente. Então, o que parece mais sensato, usar esses 5% do cérebro para tentar convencer o meu mecanismo de defesa que eu posso sobreviver mesmo sofrendo ou consertar esse mecanismo através da mudança de memórias que vão gerar esse gatilho automático? O cérebro não sabe a diferença entre uma memória que você viveu de verdade de uma memória que você liberou a mesma emoção imaginária. O cérebro libera os mesmos hormônios que liberaria numa situação de desespero extremo, isso entra como uma chave neuroquímica para você conseguir gravar uma memória emocional na amigdala (localizada no cérebro) e aquilo passa a existir como se fosse realidade.
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O que nós fazemos? Vamos lá atrás e descobrimos com precisão qual é a cena ligada ao sentimento, ao sintoma físico e emocional e alteramos essa memória emocional. Jamais se altera uma memória racional. Alterando a memória emocional eu desligo o sentimento daquele evento. Com isso, eu consigo desligar o desespero, a culpa, o amor, a paixão, dá para você consertar o comportamental, alterando gatilhos emocionais para que a pessoa tenha um comportamento diferente. Assim dá pra fazer a pessoa parar de beber, parar de usar drogas etc. Às vezes, o paciente vem diagnosticado de um psiquiatra, com algum transtorno mental, depressivo, de pânico ou transtorno de ansiedade, até um transtorno bipolar é capaz de ser tratado com a hipnose.
Diário - A hipnose funciona mesmo com pacientes que estão sendo tratados com medicamentos?
Helvecio – Sem dúvida. A pessoa, mesmo tomando medicamentos, na maioria dos casos, eu diria que em 99% dos casos, ela vai responder, sim. Às vezes, falta um medicamento para responder à hipnose.