Alexandre Cunha lança pré-candidatura para prefeito de Praia Grande

Vice-prefeito em duas ocasiões, Cunha também já foi vereador

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05 NOV 2019Por Carlos Ratton07h30
Professor, Cunha não vê com bons olhos a iniciativa de instalar câmeras de monitoramento de segurança nas creches e escolasFoto: Diário do Litoral

Pode-se dizer que Alexandre Cunha tem carreira política consolidada em Praia Grande. Foi vereador por duas legislaturas, presidente da Câmara e vice-prefeito por duas vezes de Alberto Mourão. Agora, ao se lançar pré-candidato a prefeito pelo Republicanos, acredita que suas votações - sempre acima de 35 mil votos (mais que muitos deputados da região) - são um patrimônio eleitoral forte para conduzi-lo ao Executivo. "Nunca precisei de cargos públicos. Após as eleições, volto para minhas atividades empresariais e toco a vida. Estou na política porque acredito que ela é um instrumento de transformação da sociedade", acredita Cunha.

Em visita ao Diário, Alexandre Cunha disse que está decepcionado com o Legislativo de forma geral. Para ele, além de pouco fiscalizar, não oferece propostas. "O parlamento tem que ser propositivo. Vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores estão deitados em berço esplêndido. Quando fui presidente da Câmara, tomei a iniciativa de cobrar mais segurança e consegui aumento do quadro de policiais em Praia Grande. Hoje, quando você fala que é político, metade das pessoas torce o nariz e a outra esconde a carteira. Isso precisa mudar", dispara.

Professor por formação, Cunha não vê com bons olhos a iniciativa do vereador Carlos Eduardo Barbosa, o Cadu (PTB), de instalar câmeras de monitoramento de segurança nas creches e escolas. "Sou contra patrulhamento dentro das salas de aula, pois vai constranger alunos que têm dificuldades para aprender e os especiais, além dos professores. É bullying eletrônico. Não vai trazer nenhum benefício à educação", explica.

Ainda sobre Educação, Cunha afirma que é preciso rever em Praia Grande a superlotação das salas da Educação Jovens e Adultos (EJA) e a proibição de professoras, atendentes educacionais, inspetores e outros funcionários de se alimentar junto com os alunos nos horários de merenda. "Os recursos se baseiam no número de crianças e, por isso, só elas têm direito à merenda, que inclusive precisa ser melhorada. Outros servidores não têm a possibilidade de também se alimentar da merenda. Mas não vejo problemas dos professores se alimentarem junto trazendo comida de casa", explica.

Quiosques

Sobre mais uma temporada sem quiosques, Cunha acredita que houve precipitação do Governo Mourão em derrubar os equipamentos. "O Ministério Público (MP) só havia questionado a retirada dos permissionários para que houvesse nova licitação de ocupação dos equipamentos. Foram já realizadas três licitações para construção e ocupação, só que ela permite que empresas participem, que ao meu ver não é a uma boa ideia, tanto que a procura não está sendo como se esperava. Hoje, muita gente que trabalhava nos quiosques está desempregada", comenta.

O pré-candidato acredita na implantação do Complexo Empresarial e Aeroportuário Andaraguá, mas avisa que é preciso preparar a mão-de-obra praiagrandense: "Serão 212 empresas de ponta. O governo precisa levantar quantos e quais empregos serão gerados e preparar a população para ocupá-los. O passivo ambiental será de Praia Grande e os impostos gerados também. Estamos há 40 minutos do ABCD. Não adianta gerar emprego somente para o filho do vizinho".

Sobre a relação intempestiva da Prefeitura com os proprietários de ferros-velhos, Cunha disse que é preciso diálogo e planejamento. "É hora de conciliar. A falta de emprego é grande. O governo tem que ser facilitador e ajudar o ganha pão. Isso não significa fechar os olhos para o que está errado. Dá para diferenciar quem recicla, quem ajuda o meio ambiente e economiza para o Município de quem vende material roubado. A cidade já é monitorada. Dá, perfeitamente, para evitar confrontos desnecessários. Tem que dar proteção para o trabalhador e não repreende-lo", ensina.

Cunha finaliza sua fala com um alerta: a segurança de Praia Grande ainda é um problema, apesar da Guarda Municipal ter sido a primeira a ser armada e responsável por 60% das ocorrências do Município. "Estamos em primeiro lugar na região em estupros. Oitenta casos em nove meses. Em primeiro também em homicídios e roubos. Segundo lugar em roubos de veículos e furtos. É preciso cobrar o Governo do Estado e investir na educação de nossas crianças".