Com mais de 50 golpes por hora em SP, fraude imobiliária cresce 553%; veja como não ser a próxima vítima

Fraudes na compra, venda e aluguel de propriedades já geram prejuízos milionários no estado. Especialistas alertam

Falsos proprietários e contratos de gaveta falsificados estão na mira das autoridades de SP

Falsos proprietários e contratos de gaveta falsificados estão na mira das autoridades de SP/Freepik

Os golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis têm se multiplicado em Santos. Esse aumento acompanha a escalada dos crimes de estelionato no estado de São Paulo, que já somam cerca de 448 mil ocorrências por ano, o equivalente a mais de 50 golpes por hora. Além disso, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 aponta um crescimento de 553% desde 2018.

Para evitar esse tipo de fraude, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam o site oficial RI Digital (ridigital.org.br). A plataforma reúne dados de mais de 20 milhões de propriedades em todo o estado. Em seguida, permite ao usuário consultar quem é o verdadeiro proprietário do imóvel, qual é a sua situação jurídica atual e se existem impedimentos legais para a venda.

Documento

Pelo sistema, o interessado pode solicitar a certidão digital da matrícula. Esse documento reúne todo o histórico da propriedade e identifica o proprietário atual. Ademais, ele aponta a existência de penhoras, dívidas, indisponibilidades ou outros bloqueios que possam impedir a transferência do bem.

A ferramenta atua justamente no ponto mais vulnerável das negociações fraudulentas: a falta de verificação em base oficial. Isso porque anúncios, contratos de gaveta e documentos particulares apresentados durante a negociação podem ser falsificados. Portanto, o comprador não deve confiar apenas em papéis particulares.

“As informações do Registro de Imóveis são as únicas que indicam, com segurança, quem é o dono do bem e quais são as condições legais para sua negociação”, destaca Juan Pablo Correa Gossweiler, presidente do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), entidade responsável pela prestação de serviços imobiliários digitais no Brasil.

Golpes frequentes

Entre os golpes mais comuns, destacam-se a venda de imóveis por falsos proprietários, a oferta de propriedades inexistentes ou que não estão à venda. Além desses, a negociação do mesmo bem para várias pessoas e a ocultação de dívidas ou restrições que impedem a transferência também são sinais.

Diante desse cenário, ter acesso à informação correta é um diferencial entre realizar um investimento seguro ou assumir um prejuízo que compromete economias de uma vida.

Casos recentes reforçam a gravidade do problema. Por exemplo, a autuação de falsos corretores e a desarticulação de uma quadrilha que operava em seis estados e causou prejuízos estimados em R$ 12 milhões mostram como o impacto dessas fraudes pode atingir pessoas de qualquer perfil.

Em muitos episódios, as vítimas só descobrem o golpe ao tentar formalizar a escritura ou registrar o imóvel. Nesta caso, quando constatam que o vendedor não é o proprietário ou que há impedimentos legais desconhecidos.

“A segurança jurídica é o pilar de qualquer transação imobiliária. Em um cenário onde as fraudes se tornam cada vez mais sofisticadas, o registro de imóveis atua como o escudo do cidadão. Consultar a matrícula pelo RI Digital antes de fechar qualquer negócio não é apenas uma cautela, é a única garantia de que o comprador não está adquirindo um problema ou sendo vítima de um estelionato”, afirma George Takeda, presidente da Associação de Registradores de Imóveis de São Paulo (Arisp).

Como se proteger

Antes de qualquer pagamento, o comprador deve acessar o RI Digital (ridigital.org.br) para verificar as informações do imóvel diretamente na base oficial. Caso ainda não tenha o número da matrícula, ele pode utilizar a pesquisa para identificar imóveis vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor.

Depois de localizar a matrícula, o passo essencial é solicitar a certidão digital atualizada. Esse documento confirma quem é o proprietário e apresenta todo o histórico do bem, incluindo eventuais dívidas, penhoras ou restrições. Por fim, a orientação é só avançar na negociação após conferir se o imóvel está, de fato, em nome de quem está vendendo e se não há impedimentos legais para a transação.