A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal amarelo para quem faz uso de suplementos e medicamentos à base de Cúrcuma (açafrão-da-terra). O alerta de farmacovigilância foca em um risco raro, mas grave: a hepatite medicamentosa e danos inflamatórios ao fígado.
Veja também: Anvisa libera impressão de receituários controlados por médicos e instituições
O problema não está no tempero
A Anvisa é clara: o pó de cúrcuma usado na culinária (em curries e carnes) continua sendo totalmente seguro. O risco mora nas cápsulas, extratos concentrados e suplementos.
-
Superdosagem: Muitas fórmulas são feitas para ‘potencializar’ a absorção, entregando doses muito maiores do que o corpo processaria normalmente através da comida.
-
Misturas perigosas: A combinação com substâncias como a Piperina (pimenta-preta) aumenta a absorção da curcumina, forçando o fígado a trabalhar no limite para metabolizar o composto.
Sinais de Alerta: Quando parar o uso?
Se você utiliza suplementos de cúrcuma, especialistas recomendam atenção total a estes sintomas:
-
Icterícia: Pele ou olhos amarelados.
-
Alterações na excreção: Urina muito escura (cor de chá) ou fezes claras.
-
Mal-estar: Cansaço extremo sem motivo, náuseas ou dor abdominal persistente.
Decisão da Anvisa: Medicamentos populares como Motore e Cumiah terão suas bulas atualizadas. Já os suplementos passarão por uma reavaliação rigorosa e deverão exibir alertas de segurança nos rótulos.
Veja também: Anvisa aprova remédio que pode atrasar surgimento do diabetes tipo 1 no Brasil
Contexto Internacional
O Brasil não está sozinho nessa. Autoridades de saúde na França, Itália e Canadá já registraram dezenas de casos de intoxicação hepática ligados a esses produtos. O consenso médico é que o uso só deve ser feito sob orientação profissional, respeitando as doses seguras.
