A vida em uma favela de palafitas envolve desafios constantes / Rodrigo Montaldi/Arquivo DL
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Quando se fala em Santos, no litoral de São Paulo, a imagem mais comum costuma ser a de prédios altos à beira-mar. Não por acaso: a cidade é considerada a mais vertical do Brasil, com a maior proporção de moradores vivendo em apartamentos.
Mas, a poucos quilômetros dessa paisagem marcada por arranha-céus, existe uma realidade completamente diferente. Na Zona Noroeste do município, está localizada a maior favela de palafitas do Brasil: o Dique da Vila Gilda, uma comunidade construída sobre estacas de madeira diretamente acima da água.
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A região revela um contraste urbano que chama atenção: de um lado, a “selva de concreto” formada por prédios à beira-mar; de outro, moradias improvisadas sobre o mangue, em uma das áreas socialmente mais vulneráveis da cidade.
O Dique da Vila Gilda surgiu por volta da década de 1960, quando famílias começaram a ocupar irregularmente a região às margens do Rio dos Bugres, avançando da terra firme para dentro da área de manguezal.
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As casas foram sendo erguidas sobre estacas de madeira, as chamadas palafitas, formando uma rede de corredores estreitos conectados por tábuas, criando um verdadeiro labirinto de passagens.
Hoje, milhares de pessoas vivem nessas estruturas. Em alguns casos, até 10 ou 15 moradores dividem o mesmo barraco, segundo relatos sobre a realidade da comunidade.
Além da precariedade das moradias, os moradores convivem com problemas sanitários e ambientais, já que o rio recebe lixo e esgoto sem tratamento.
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O Dique da Vila Gilda surgiu por volta da década de 1960 / Nice Gonçalves/DivulgaçãoA vida em uma favela de palafitas envolve desafios constantes.
Entre as principais preocupações estão:
Essas condições tornam a região uma das áreas urbanas mais vulneráveis da Baixada Santista.
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Uma iniciativa anunciada recentemente busca melhorar as condições de vida da população do Dique da Vila Gilda.
A Prefeitura de Santos, em parceria com a Sabesp, prevê a implantação de rede de água tratada e coleta de esgoto nas palafitas a partir de janeiro de 2026.
O projeto inclui cerca de 2,5 mil ligações de água e esgoto, com obras previstas para serem concluídas até o fim de 2026.
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De acordo com a Sabesp, a implantação do sistema enfrenta desafios técnicos importantes, como solo instável, influência da maré e dificuldade de acesso às moradias.
Mesmo assim, a expectativa é que a iniciativa traga melhorias significativas, como:
A proposta prevê a construção de 60 unidades habitacionais / Divulgação/PMSOutra frente de intervenção na região é o Parque Palafitas, considerado um projeto piloto de urbanização.
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A proposta prevê a construção de 60 unidades habitacionais em uma área de cerca de 4 mil metros quadrados, distribuídas em seis conjuntos residenciais.
As obras começaram em dezembro de 2024 e fazem parte de um plano mais amplo de revitalização da região.
Apesar das dificuldades estruturais, o Dique da Vila Gilda também se tornou referência em iniciativas culturais.
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Um dos principais exemplos é o Instituto Arte no Dique, que oferece atividades de arte, música e formação cultural para moradores da comunidade.
O projeto já recebeu artistas de destaque da música brasileira e promove oficinas gratuitas voltadas à população local.
Além disso, está prevista a entrega de um campo de futebol com gramado sintético, batizado de Cruyff Court, fruto de uma parceria internacional com a Johan Cruyff Foundation e a UEFA Foundation for Children.
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A existência do Dique da Vila Gilda evidencia um dos contrastes mais marcantes de Santos.
Enquanto bairros da orla são dominados por edifícios altos, símbolo da forte verticalização urbana, áreas como a Zona Noroeste ainda enfrentam desafios históricos ligados à urbanização, saneamento e habitação.
Assim, a cidade que ficou conhecida pela “selva de concreto” à beira-mar também abriga, em outro extremo de seu território, a maior favela de palafitas do Brasil.