Cotidiano

Além da Fé: o amor ao próximo, mas sem anúncio, do judaísmo

Para os judeus, a entrega ao irmão deve ser feita por livre vontade e sem grandes alardes

Agência Brasil

Publicado em 15/08/2015 às 10:44

Atualizado em 15/04/2021 às 14:37

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"Ama o teu próximo como a ti mesmo". Assim como nas religiões cristãs, este é um dos principais preceitos do Torá, livro santo dos judeus. Por isso, o judaísmo é a quarta religião abordada na série 'Além da Fé', que busca expor o conceito de solidariedade e amor fraternal em cada doutrina.

"Nós não temos uma militância porque não buscamos converter pessoas. Mas o 'tsedacá' nos ensina que devemos doar, por livre e espontânea vontade, 10% dos nossos ganhos para quem precisa. D'us (como eles chamam Deus) nos ensina a compartilhar o que nós temos de felicidade com o próximo", explica o membro da Sinagoga de Santos, Nilson Friedman Muszkat.

"Tsedacá" é um dos 613 preceitos dados por D'us no Monte Sinai ao povo judeu. A palavra possui sua raiz na palavra hebraica "tsedec", que significa integridade, justiça, a coisa certa a fazer. "D'us permitiu que existissem pobres e ricos para que os seres humanos exercessem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas. O dinheiro não pertence realmente a você, que está obrigado a distribuí-lo. A pessoa deve fazer caridade de acordo com as suas posses", explica o portal especializado na doutrina judaica www.chabad.org.br.

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Muszkat vai mais além e classifica a relação entre os judeus e D'us como um condomínio. "É como se Deus fosse o síndico e nós os inquilinos. E tudo o que Ele faz por nós não é para que nos vangloriemos, mas sim para que possamos compartilhar e que uns ajudem os outros", explica o more (professor para os judeus).

Segundo ele, a solidariedade dos judeus é exposta por membros famosos como Luciano Huck, Silvio Santos, Serginho Groisman e Roberto Justus, e também por empresários de sucesso como Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, já falecido, e a família fundadora do Banco Safra. "Todos eles ajudam o próximo sem ver a quem. Mas não precisamos tocar trombetas para expor o que fazemos, só precisamos fazer com o coração", complementa.

A Baixada Santista tem cerca de cinco sinagogas. Duas delas estão em Santos: a Beit Sion, na Rua Borges, 264, no bairro do Macuco; e a Bet Jacob, na Avenida Campos Sales, 137. "Aqui, nós promovemos grupos de ajuda, principalmente quando acontecem grandes tragédias. Foi assim que nos reunimos para ajudar os moradores de Cubatão quando houve aquele triste deslizamento. A nossa comunidade é envelhecida, membros que buscam mais o religioso. Se tiver cinco jovens que frequentam a sinagoga em Santos é muito. Por isso, há poucas ações e costumamos ajudar os próprios da comunidade", explica Muszkat.

Entre os judeus que se destacam pela solidariedade está More Ventura. O professor pratica por várias cidades do País inclusive ajudou na problemática de Cubatão com o projeto Judaísmo Cidadão. Gilberto Ventura atua em diversas frentes levando os preceitos de D'us aos mais necessitados. "Quando sarjeta vira bica e lata de lixo, vendinha. É hora de reciclar: egoísmo em altruísmo, querer em ter, ter em ser e competir em cooperar", acredita. 

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