Cotidiano

Água do futuro será extraída do ar e pode ajudar a combater a escassez global

A ideia foi elaborada por Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)

Igor de Paiva

Publicado em 27/02/2026 às 10:48

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Apesar do potencial, especialistas alertam que o dispositivo ainda precisa de melhorias antes de ser aplicado em larga escala / Reprodução

Continua depois da publicidade

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um protótipo capaz de gerar água potável a partir do ar, mesmo em regiões extremamente secas.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Testado no Vale da Morte, na Califórnia, o sistema conseguiu captar pequenas quantidades de água em condições desafiadoras, apontando para uma possível alternativa sustentável para comunidades afetadas pela escassez hídrica, um problema que atinge bilhões de pessoas no mundo.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Água de enchente esconde risco invisível e pode causar doenças graves; médicos alertam

• Telescópio espacial registra galáxia 'Água-viva' de mais de 8 bilhões de anos que desafia a ciência

Aproveite e veja também: Água de enchente esconde risco invisível e pode causar doenças graves; médicos alertam

Apesar do potencial, especialistas alertam que o dispositivo ainda precisa de melhorias antes de ser aplicado em larga escala.

Continua depois da publicidade

Como a inovação funciona

O equipamento utiliza um painel de vidro estruturado em formato de colmeia, preenchido com um hidrogel enriquecido com sal. Esse material é capaz de atrair e reter a umidade do ar, mesmo quando a umidade relativa é muito baixa.

A água absorvida pelo hidrogel se condensa na superfície do vidro, formando gotas que escorrem para um reservatório, produzindo água potável sem a necessidade de eletricidade ou combustíveis adicionais.

Um desafio global

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25% da população mundial ainda não tem acesso a água limpa. A situação tende a se agravar com os efeitos das mudanças climáticas, que aumentam a frequência de secas e diminuem a disponibilidade de água natural.

Continua depois da publicidade

Para Paul Westerhoff, professor da Universidade Estadual do Arizona, “os hidrogéis podem aumentar até dez vezes seu volume apenas extraindo umidade do ar, funcionando mesmo em condições extremamente secas”. No entanto, ele ressalta que o custo de produção ainda é elevado, podendo tornar a água captada até dez vezes mais cara do que a distribuída pelas redes públicas.

Pesquisas semelhantes pelo mundo

O MIT não é pioneiro no uso de hidrogéis para captar água do ar. No Deserto do Atacama, no Chile, experimentos já mostraram a viabilidade da técnica, enquanto em Las Vegas cientistas criaram uma membrana de hidrogel inspirada nas pererecas que produz cerca de um galão por dia.

Startups privadas também investem nessa área: empresas como a israelense H2OLL e a americana AirJoule disputam espaço em um mercado global estimado em mais de US$ 2 bilhões.

Continua depois da publicidade

Desafios a superar

Atualmente, o protótipo ainda gera volumes muito pequenos de água. Nos testes, a produção foi de apenas dois terços de uma xícara por dia — insuficiente para atender às necessidades básicas de consumo.

Para Christopher Gasson, editor da consultoria Global Water Intelligence, “a quantidade de água produzida ainda é pequena, e é difícil imaginar como ela se encaixaria nas fontes de abastecimento existentes”. O futuro do projeto, portanto, depende de avanços que aumentem a eficiência e reduzam os custos, tornando a tecnologia uma solução prática para a escassez hídrica.

TAGS :

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software