A banda de reggae Afrodizia, de Itanhaém, lançou um novo single “Racistas Não!”, na última sexta-feira (27), nas plataformas digitais. Trata-se de uma obra que transforma o debate sobre racismo estrutural e racismo algorítmico em uma ampla experiência artísticas e educativa, reunindo música, audiovisual, tecnologia e participação do público.
“O que acontece quando uma mensagem antirracista precisa disputar espaço em plataformas controladas por algoritmos?”
Foi a partir dessa pergunta que nasceu “Racistas Não!”, novo single da banda Afrodizia, conhecida como um dos principais nomes da história do reggae brasileiro.
O lançamento se transforma em um projeto transmídia que reúne videoclipe, websérie, documentário, game virtual, conteúdos educativos e um experimento artístico com Inteligência Artificial para discutir os impactos do racismo algorítmico na sociedade contemporânea.
O projeto “Racistas Não!” aborda o racismo estrutural sob uma perspectiva ainda pouco explorada no Brasil. A forma como sistemas digitais e algoritmos podem reproduzir desigualdades presentes na sociedade.
Durante a construção do projeto, os integrantes do Afrodizia mergulharam em pesquisas sobre racismo algorítmico, conceito utilizado para descrever situações em que sistemas de recomendação, inteligência artificial e plataformas digitais reproduzem ou amplificam vieses discriminatórios presentes nos dados com os quais são treinados.
Ampliar o debate
A ideia do projeto é ampliar o debate sobre o tema. Entre as iniciativas a serem lançadas destacam-se uma websérie que acompanha os desafios da divulgação de uma música antirracista em ambientes digitais, a partir de 30 de junho.
Além de um jogo virtual no qual os participantes assumem o papel de embaixadores antirracistas, a partir do dia 10 de julho. E, ainda, um documentário sobre o processo criativo da obra e conteúdos educativos para as redes sociais.
Um dos destaques do projeto é um videoclipe, produzido com Inteligência Artificial (IA) e dirigido por Arnaldo Belotto. A produção busca provocar uma reflexão sobre a necessidade de alimentar sistemas de IA com referências, narrativas e conteúdos comprometidos com a diversidade e a justiça social. O vocalista da banda, Ale Massau, afirma que a discussão proposta pelo projeto dialoga com os desafios contemporâneos da comunicação.
“Se os algoritmos aprendem com os dados que recebem, precisamos discutir quais valores estamos ensinando às máquinas. A tecnologia não está separada da sociedade. Ela aprende com ela”, ressalta.
Ao unir música, tecnologia e educação, o projeto propõe uma reflexão sobre o papel da Inteligência artificial na construção faz narrativas contemporâneas e sobre a responsabilidade coletiva na criação de ambientes digitais mais inclusivos.
A banda Afrodizia
Com 27 anos de carreira, o Afrodizia é um dos maiores representantes do reggae brasileiro no cenário internacional. A banda já realizou mais de 80 apresentações em países como França, Suíça, Áustria e Eslovênia, incluindo participação no Montreux Jazz Festival.
Em 2025, a banda Afrodizia recebeu o Prêmio Profissionais da Música na categoria reggae.
Formada em Maringá (PR) e radicada em Itanhaém (SP), a banda soma quatro álbuns autorais – Todas as Tribos, Mutação, Peace e Mutación e Amar. Reconhecido por sua sonoridade que combina a raiz do reggae com a riqueza da música brasileira, o grupo construiu uma trajetória marcada pela cultura da paz, da identidade negra e da justiça social. A banda Afrodizia é composta por Ale Massau (voz), Priscilla Cantarelli (teclados), Tony Sheen (bateria), Diogo Morgado (guitarra) e Edward Sub (baixo).
