Enquanto esses medicamentos dominam o mercado, um novo estudo publicado na revista científica Nature Metabolism aponta um caminho inusitado: o metabolismo da píton birmanesa / ImageFX
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Medicamentos como Ozempic e Wegovy se tornaram fenômenos globais no combate à obesidade. Ambos têm como base a semaglutida, substância que imita o hormônio GLP-1 — responsável por sinalizar saciedade ao cérebro — reduzindo o apetite e promovendo perda de peso.
Diferente do hormônio natural, que dura poucos minutos no organismo, a semaglutida tem efeito prolongado, o que explica sua eficácia. No entanto, o uso crescente desses medicamentos também levanta preocupações entre cientistas.
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Apesar dos benefícios, estudos apontam que os remédios à base de semaglutida podem causar efeitos adversos importantes, como:
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Em casos mais raros, pesquisas investigam até possíveis impactos na visão e no sistema digestivo
Especialistas reforçam que o uso deve ser sempre acompanhado por profissionais de saúde, já que o equilíbrio entre riscos e benefícios varia de paciente para paciente.
Em casos mais raros, pesquisas investigam até possíveis impactos na visão e no sistema digestivoEnquanto esses medicamentos dominam o mercado, um novo estudo publicado na revista científica Nature Metabolism aponta um caminho inusitado: o metabolismo da píton birmanesa
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Essas serpentes possuem uma característica impressionante: conseguem ingerir presas inteiras — muitas vezes maiores que o próprio corpo — e depois passam meses sem se alimentar. Para isso, o organismo sofre mudanças extremas:
Esse “super metabolismo” chamou a atenção dos cientistas.
Ao analisar o sangue das pítons antes e depois da alimentação, pesquisadores identificaram uma molécula-chave chamada pTOS (para-tiramina-O-sulfato), que aumenta drasticamente após a ingestão de alimentos.
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Quando testada em ratos obesos, a substância apresentou resultados promissores:
Diferente da semaglutida, que atua no sistema digestivo, o pTOS age diretamente no cérebro, ativando regiões responsáveis pelo controle da fome.
A ação da molécula começa no intestino das pítons, onde bactérias quebram a tirosina — um aminoácido presente nas proteínas — gerando o pTOS.
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Essa substância segue até o hipotálamo, área do cérebro responsável por regular o apetite, reduzindo a ingestão de alimentos de forma direta.
Curiosamente, o pTOS também existe no organismo humano. Em testes iniciais com voluntários, os níveis da molécula aumentaram após refeições, o que reforça o potencial de aplicação futura em tratamentos.
O interesse por tratamentos contra obesidade cresce rapidamente no mundo todo.A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de uma nova classe de medicamentos contra a obesidade, possivelmente com menos efeitos colaterais.
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Ainda assim, especialistas alertam: os estudos estão em fase inicial e os testes em humanos ainda são necessários para comprovar segurança e eficácia.
Essa não é a primeira vez que serpentes contribuem para avanços científicos. Medicamentos importantes já foram desenvolvidos a partir de compostos presentes em venenos.
Um dos exemplos mais conhecidos é o captopril, usado no tratamento da hipertensão, criado a partir de estudos com o veneno da jararaca brasileira.
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O interesse por tratamentos contra obesidade cresce rapidamente no mundo todo. Novas drogas, inclusive versões orais e combinações com outras substâncias, estão em desenvolvimento para potencializar os efeitos da semaglutida
Nesse cenário, a descoberta envolvendo as pítons pode representar uma nova fronteira na medicina — e mudar o futuro do emagrecimento.