Segundo levantamento da UFU, cerca de 80% dos estudantes manteriam praticamente a mesma posição na classificação, com variações de apenas 15% a 20% / ImageFX
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Os vestibulares de universidades públicas brasileiras estão passando por uma transformação significativa. Instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) decidiram simplificar seus processos seletivos e concentrar as provas em apenas um dia, abandonando o modelo tradicional de duas fases.
A mudança se baseia em estudos internos que apontam um impacto mínimo da segunda etapa no resultado final. Em muitos casos, os candidatos aprovados já estavam entre os melhores colocados desde a primeira fase.
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Segundo levantamento da UFU, cerca de 80% dos estudantes manteriam praticamente a mesma posição na classificação, com variações de apenas 15% a 20%.
O novo formato já tem data para começar. A partir de 2026, o vestibular da UFU será aplicado em um único dia, com 65 questões objetivas e uma redação. Antes, o processo era dividido em duas fases, com maior número de provas discursivas.
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Na UFPR, a mudança segue a mesma linha. O vestibular também será realizado em fase única, com duração aproximada de cinco horas e meia, reunindo 80 questões objetivas e duas produções de texto — uma longa e outra curta.
A tendência representa uma ruptura com modelos antigos. Há algumas décadas, os vestibulares chegavam a durar até três dias, com provas extensas e múltiplas etapas.
Um dos principais motivos para a mudança é tornar o acesso ao ensino superior mais democrático.
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Antes, muitos candidatos precisavam viajar para realizar a segunda fase, arcando com gastos de transporte, hospedagem e alimentação. Para estudantes de baixa renda, isso acabava sendo um obstáculo.
“Perdíamos candidatos por questões socioeconômicas”, apontam gestores das universidades.
Com a prova em apenas um dia, esses custos diminuem significativamente, além de reduzir conflitos de datas com outros vestibulares.
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Outro benefício é a redução de vagas ociosas, já que a abstenção nas fases finais era alta — muitos candidatos simplesmente não compareciam ou deixavam provas em branco.
Um dos principais motivos para a mudança é tornar o acesso ao ensino superior mais democrático.As universidades também identificaram uma mudança no comportamento dos vestibulandos, especialmente após a pandemia.
De acordo com especialistas, os estudantes apresentam:
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Além disso, muitos chegam ao ensino superior com lacunas em disciplinas básicas, como matemática, física e química.
Diante desse cenário, instituições como a UFU já adotam programas de acolhimento acadêmico para ajudar alunos a se adaptarem à rotina universitária.
A mudança não é isolada. Outras universidades já vinham ajustando seus vestibulares:
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As instituições defendem que exames mais curtos permitem respostas mais elaboradas e melhor avaliação do conhecimento dos candidatos.
Simplificar o acesso pode ser uma estratégia para atrair mais candidatos e tornar o ingresso na universidade pública mais eficienteApesar das críticas de que o novo modelo poderia tornar o vestibular menos rigoroso, as universidades afirmam que isso não deve acontecer.
Na UFPR, por exemplo, estudos indicam que apenas cerca de 10% das vagas mudariam de mãos com a eliminação da segunda fase.
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Ou seja, o perfil dos aprovados tende a permanecer praticamente o mesmo.
Outro ponto levantado por especialistas é uma mudança mais ampla na relação dos jovens com o ensino superior.
Segundo dirigentes universitários, há um movimento internacional de desestímulo à educação formal, o que também impacta o interesse pelos vestibulares tradicionais.
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Diante disso, simplificar o acesso pode ser uma estratégia para atrair mais candidatos e tornar o ingresso na universidade pública mais eficiente.