Cotidiano

Adeus maratona: novo vestibular em 2026 será mais curto e menos pressionado

A mudança se baseia em estudos internos que apontam um impacto mínimo da segunda etapa no resultado final

Ana Clara Durazzo

Publicado em 30/03/2026 às 08:30

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Segundo levantamento da UFU, cerca de 80% dos estudantes manteriam praticamente a mesma posição na classificação, com variações de apenas 15% a 20% / ImageFX

Continua depois da publicidade

Os vestibulares de universidades públicas brasileiras estão passando por uma transformação significativa. Instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) decidiram simplificar seus processos seletivos e concentrar as provas em apenas um dia, abandonando o modelo tradicional de duas fases.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

A mudança se baseia em estudos internos que apontam um impacto mínimo da segunda etapa no resultado final. Em muitos casos, os candidatos aprovados já estavam entre os melhores colocados desde a primeira fase.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Aos 12 anos, menino gênio acumula aprovações em vestibulares e é Top 100 jovens prodígios

• 'Deu branco'? Entenda por que seu cérebro faz isso e como evitar nas provas e vestibulares

• Estudante de 14 anos que coleciona aprovações em vestibulares começa em seu primeiro estágio

Segundo levantamento da UFU, cerca de 80% dos estudantes manteriam praticamente a mesma posição na classificação, com variações de apenas 15% a 20%.

Provas mais curtas e menos etapas

O novo formato já tem data para começar. A partir de 2026, o vestibular da UFU será aplicado em um único dia, com 65 questões objetivas e uma redação. Antes, o processo era dividido em duas fases, com maior número de provas discursivas.

Continua depois da publicidade

Na UFPR, a mudança segue a mesma linha. O vestibular também será realizado em fase única, com duração aproximada de cinco horas e meia, reunindo 80 questões objetivas e duas produções de texto — uma longa e outra curta.

A tendência representa uma ruptura com modelos antigos. Há algumas décadas, os vestibulares chegavam a durar até três dias, com provas extensas e múltiplas etapas.

Menos custo e mais acesso

Um dos principais motivos para a mudança é tornar o acesso ao ensino superior mais democrático.

Continua depois da publicidade

Antes, muitos candidatos precisavam viajar para realizar a segunda fase, arcando com gastos de transporte, hospedagem e alimentação. Para estudantes de baixa renda, isso acabava sendo um obstáculo.

“Perdíamos candidatos por questões socioeconômicas”, apontam gestores das universidades.

Com a prova em apenas um dia, esses custos diminuem significativamente, além de reduzir conflitos de datas com outros vestibulares.

Continua depois da publicidade

Outro benefício é a redução de vagas ociosas, já que a abstenção nas fases finais era alta — muitos candidatos simplesmente não compareciam ou deixavam provas em branco.

Um dos principais motivos para a mudança é tornar o acesso ao ensino superior mais democrático.

Novo perfil de estudante influencia mudanças

As universidades também identificaram uma mudança no comportamento dos vestibulandos, especialmente após a pandemia.

De acordo com especialistas, os estudantes apresentam:

Continua depois da publicidade

  • mais dificuldade de concentração
  • menor resistência a provas longas
  • aumento da ansiedade durante exames

Além disso, muitos chegam ao ensino superior com lacunas em disciplinas básicas, como matemática, física e química.

Diante desse cenário, instituições como a UFU já adotam programas de acolhimento acadêmico para ajudar alunos a se adaptarem à rotina universitária.

Tendência nacional

A mudança não é isolada. Outras universidades já vinham ajustando seus vestibulares:

Continua depois da publicidade

  • A Unicamp reduziu o número de questões da segunda fase
  • A USP também anunciou provas mais enxutas para 2026

As instituições defendem que exames mais curtos permitem respostas mais elaboradas e melhor avaliação do conhecimento dos candidatos.

Simplificar o acesso pode ser uma estratégia para atrair mais candidatos e tornar o ingresso na universidade pública mais eficiente

Seleção mais simples, mas igualmente eficaz

Apesar das críticas de que o novo modelo poderia tornar o vestibular menos rigoroso, as universidades afirmam que isso não deve acontecer.

Na UFPR, por exemplo, estudos indicam que apenas cerca de 10% das vagas mudariam de mãos com a eliminação da segunda fase.

Continua depois da publicidade

Ou seja, o perfil dos aprovados tende a permanecer praticamente o mesmo.

Educação superior perde centralidade?

Outro ponto levantado por especialistas é uma mudança mais ampla na relação dos jovens com o ensino superior.

Segundo dirigentes universitários, há um movimento internacional de desestímulo à educação formal, o que também impacta o interesse pelos vestibulares tradicionais.

Continua depois da publicidade

Diante disso, simplificar o acesso pode ser uma estratégia para atrair mais candidatos e tornar o ingresso na universidade pública mais eficiente.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software