A Unilever e seus acionistas manteriam uma participação de 65% na nova entidade resultante da fusão / Divulgação
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A Unilever confirmou nesta terça-feira (31) que está em negociações avançadas para fundir sua divisão de alimentos com a McCormick, fabricante norte-americana conhecida por suas especiarias e pelo molho Cholula.
O acordo, estimado em aproximadamente US$ 60 bilhões, representa o movimento mais ambicioso do CEO Fernando Fernandez desde que assumiu o comando em março de 2025.
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A estratégia ocorre pouco após a conclusão da cisão do negócio de sorvetes da companhia, que detém marcas como Ben & Jerry’s e Magnum.
A operação deve ser estruturada por meio de um modelo financeiro conhecido como Reverse Morris Trust (RMT). Esse formato permite que a Unilever realize a separação de sua unidade de alimentos e a subsequente fusão com a McCormick de forma otimizada sob o ponto de vista tributário.
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Pelos termos discutidos, a Unilever e seus acionistas manteriam uma participação de 65% na nova entidade resultante da fusão, garantindo o controle majoritário do novo conglomerado alimentício.
Analistas do setor avaliam o braço de alimentos da Unilever entre US$ 32,10 bilhões e US$ 35,5 bilhões, incluindo dívidas. Somado ao valor de mercado da McCormick e a um componente em dinheiro projetado em US$ 15,7 bilhões, o valor total da nova empresa ultrapassaria a marca dos US$ 60 bilhões.
O mercado reagiu positivamente ao anúncio, com as ações da Unilever subindo 0,9% no início do pregão e os papéis da McCormick saltando 3,9% nas negociações pré-mercado em Nova York.
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A lógica por trás da venda ou fusão do negócio de alimentos reside na queda de volume de vendas que o setor apresentou nos últimos anos.
Especialistas apontam que a estrutura de RMT é uma escolha sensata, citando exemplos de outras gigantes globais, como a Procter & Gamble, que utilizaram o mesmo recurso para vender divisões não essenciais sem gerar pesados encargos fiscais.
Para a Unilever, a movimentação sinaliza um foco maior em categorias de crescimento mais acelerado, como beleza e cuidados pessoais, distanciando-se de setores mais tradicionais de alimentos que enfrentam maior pressão de custos e concorrência.
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Já para a McCormick, a fusão representaria um salto de escala sem precedentes, integrando um portfólio robusto de marcas globais à sua liderança no segmento de temperos e condimentos.
O sucesso da transação ainda depende da finalização dos termos contratuais e da aprovação de órgãos reguladores em diversos mercados.
Se concluído, o negócio redesenhará o mapa da indústria global de alimentos, criando uma estrutura capaz de competir em pé de igualdade com os maiores nomes do setor, unindo a expertise em logística da Unilever à especialização em sabor da McCormick.
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