Abandono de Outeiro choca historiadora da USP

O estado de abandono do Outeiro de Santa Catarina e Casa da Frontaria Azulejada, foi registrado em primeira mão pelo Diário do Litoral

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22 AGO 2018Por Carlos Ratton11h30
O estado de abandono do Outeiro de Santa Catarina e Casa da Frontaria Azulejada, foi registrado em primeira mão pelo Diário do LitoralFoto: Rodrigo Montaldi/DL

“Santos fez um trabalho inovador ao recuperar o Outeiro de Santa Catarina para abrigar os documentos históricos. A iniciativa serviu de exemplo para outras cidades interessadas em montar os seus acervos. Este ­sucateamento é chocante”, disse a professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e doutora em História Social da Universidade de São Paulo (USP), Ana Maria Almeida Camargo. Ela declarou que a Associação Nacional de Arquivistas recebeu com perplexidade informações sobre o desmonte dos arquivos de Santos.

Ana Camargo esteve, semana passada, numa audiência pública com historiadores, arquitetos, urbanistas, arquivistas, munícipes e representantes da Prefeitura, conduzida pelo vereador Chico Nogueira (PT). O estado de abandono do Outeiro de Santa Catarina e Casa da Frontaria Azulejada, foi registrado em primeira mão pelo Diário do Litoral, em 4 de junho ­último.  

“Não temos dúvida de que a praia, como bem natural, é o nosso maior atrativo em termos de turismo. Mas com mais de 500 anos de história, o município não pode ser resumido a uma estância que só oferece sol e mar. Santos é uma das cidades mais antigas do país e guarda um patrimônio documental e edificado de grande valor e deve ser um compromisso de todos os entes envolvidos na conservação e na gestão tornar este acervo cultural acessível à comunidade residente e aos visitantes”, alertou Nogueira (PT).

Precisando de restauro

Prédios e monumentos centenários, localizados no Centro da Cidade, estão destruídos, invadidos e sem verba para obras de restauro. No encontro na Câmara, o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paulista (UNIP), Maurício Azenha, disse que a condição do patrimônio histórico da cidade é decorrente dos limites impostos pela legislação de 1968, que impede a construção de moradias na região. Para ele, “qualquer bairro onde não existe habitação, a degradação é inevitável”. No encerramento da audiência, Nogueira propôs a formação de uma comissão para o acompanhamento das iniciativas anunciadas pelo representante da Prefeitura para a recuperação do Patrimônio Histórico Edificado e Documental de Santos.

Prefeitura

O diretor da Fundação Arquivo e Memória de Santos (FAMS), Sérgio Williams, participou do encontro em nome do Governo Municipal e foi questionado sobre a postura da Administração. Ele garantiu que providências estão sendo tomadas para corrigir o problema. A já havia revelado que está aguardando a finalização de projetos de restauro para que possam ter suas atividades retomadas. Há tratativas no sentido de promover seu restauro para que possa ser ocupado por atividades relacionadas à preservação do patrimônio histórico e à memória da Cidade de Santos.

Ainda conforme a Prefeitura, a Casa da Frontaria Azulejada aguarda a finalização do processo do edital do Fundo de Interesses Difusos, da Secretaria de Estado da Justiça. A Fundação Arquivo e Memória de Santos pleiteia um valor superior a R$ 350 mil para a ­promoção de recuperação do sistema de calhas e rufos, além de parte do telhado. Neste projeto também estão previstas a recuperação de azulejos e pisos.

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