Cotidiano
Para a ciência da época, era impossível que um animal tivesse bico de pato, cauda de castor, corpo de lontra e ainda botasse ovos
O ornitorrinco pertence ao grupo dos monotremados, um elo perdido da evolução / ImageFX
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Quando os primeiros exemplares do ornitorrinco chegaram à Europa no século XVIII, os naturalistas tiveram uma reação inesperada: eles tentaram procurar as costuras. Para a ciência da época, era impossível que um animal tivesse bico de pato, cauda de castor, corpo de lontra e ainda botasse ovos.
Hoje, sabemos que ele é real — e muito mais estranho do que qualquer um poderia imaginar.
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O ornitorrinco pertence ao grupo dos monotremados, um elo perdido da evolução. Ele amamenta seus filhotes, mas de um jeito que desafia a biologia: ele não tem mamilos.
O leite escorre diretamente pelos poros da pele e se acumula em sulcos no abdômen da fêmea. Os filhotes não mamam; eles lambem o leite que brota do corpo da mãe como se fosse suor.
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Debaixo d'água, o ornitorrinco fecha olhos, ouvidos e narinas. Como ele caça? Através da eletrorecepção. O seu bico de borracha é um sensor ultrassensível capaz de detectar os minúsculos campos elétricos gerados pelo movimento dos músculos de suas presas (camarões e larvas). É um "sexto sentido" raríssimo em mamíferos.
Não se deixe enganar pela aparência fofa. Os machos adultos carregam uma arma perigosa: esporões nas patas traseiras conectados a glândulas de veneno.
Em humanos: A picada não é letal, mas causa uma dor tão intensa que nem mesmo a morfina consegue aliviar completamente.
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Na ciência: Esse veneno está sendo estudado para criar novos analgésicos e tratamentos para diabetes.
O ornitorrinco é um sobrevivente de uma linhagem que se separou dos outros mamíferos há cerca de 166 milhões de anos. Ele prova que a natureza não segue uma linha reta:
DNA misto: Possui genes que lembram aves, répteis e mamíferos.
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Regulador ambiental: Sua presença é sinal de água limpa e ecossistema equilibrado.
A biologia do ornitorrinco é tão peculiar que cada detalhe do seu corpo parece vir de um animal diferente. No que diz respeito à reproducão, ele quebra a regra principal dos mamíferos ao botar ovos de casca mole, muito semelhantes aos de répteis, em vez de dar à luz filhotes vivos.
Sua estratégia de defesa também é única: os machos adultos carregam esporões venenosos nas patas traseiras, algo extremamente raro para a classe dos mamíferos.
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Na hora da alimentação, a estranheza continua, já que o animal não possui dentes; ele utiliza cascalho coletado no fundo dos rios para ajudar a 'moer' a comida dentro do bico.
Até mesmo a sua visão é um mistério para os pesquisadores: embora seus olhos possuam células que sugerem a capacidade de enxergar cores, o ornitorrinco ignora completamente esse sentido durante a busca por comida, preferindo caçar de olhos fechados, guiado apenas pelos seus sensores elétricos.
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