Enquanto cristãos buscam ovos escondidos, judeus evitam fermento e comem ervas amargas para lembrar a escravidão / Reprodução/Freepik
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O período da Quaresma já começou e, até a Páscoa, fiéis do mundo inteiro se preparam para comemorar a ressurreição de Jesus Cristo. Contudo, judeus e cristãos ao redor do mundo celebrarão suas respectivas festas da Páscoa, cada um à sua maneira, mas com um elemento em comum: a ideia de “passagem”.
Enquanto os cristãos comemoram a ressurreição de Jesus, os judeus celebram a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Confira a diferença e semelhanças.
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Os judeus se referem à festa pelo seu nome original: Pessach. De origem hebraica, a palavra significa "passagem" e deu origem, entre outras, aos termos "páscoa" em português, "pascua" em espanhol, "pasqua" em italiano e "pâques" em francês.
"É a festa que comemora a passagem do povo israelita da escravidão do Egito para a libertação da Terra Prometida, através da travessia do Mar Vermelho", sintetiza o rabino Michel Schlesinger, da Confederação Israelita do Brasil (Conib) à BBC Brasil.
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A Pessach evoca a memória de Moisés, que segundo o Livro do Êxodo recebeu de Deus a missão de libertar os israelitas da opressão do faraó e guiá-los até a Terra Prometida.
Para os cristãos, a Páscoa também está associada à ideia de passagem – no caso, da morte para a vida. A solenidade que celebra a ressurreição de Jesus é a mais importante do cristianismo, superando até o Natal em significado teológico.
"A vitória de Jesus sobre a morte é o que confere sentido ao cristianismo. 'Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé!'", afirma o teólogo Isidoro Mazzarolo, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), citando a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
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A principal divergência entre as duas tradições está na figura central de cada celebração. Enquanto a Páscoa cristã está centrada em Jesus, a Pessach tem Moisés como protagonista.
"Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias. Ele já veio e, um dia, voltará. Nós, judeus, reconhecemos que Jesus foi um rabino que disseminou uma mensagem muito positiva de amor e respeito ao próximo, mas não o consideramos o Messias. Para nós, o Messias ainda não chegou", esclarece o rabino Schlesinger.
Ambas as celebrações se estendem por oito dias, mas com rituais bem distintos. Os cristãos marcam a Semana Santa com missas especiais como o lava-pés na quinta-feira e a procissão do enterro na sexta, dia em que muitos fiéis evitam carne vermelha.
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No domingo, a tradição da busca por ovos escondidos – adotada de rituais pagãos – encanta as crianças. Os ovos de Páscoa se tornaram um dos símbolos mais conhecidos da data.
Já os judeus têm restrições alimentares específicas durante a Pessach: não podem consumir nada feito à base de farinha fermentada. O pão ázimo (matzá), feito apenas de trigo e água, simboliza a pressa da fuga do Egito.
"Comemos ervas amargas para lembrar a amargura da escravidão, mas também bebemos vinho para recordar a doçura da liberdade. Não somos nem escravos nem livres. Ainda estamos no caminho", reflete o rabino Schlesinger.
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Cada tradição guarda seu significado profundo de passagem, renovação e esperança, uma celebração da vida que atravessa milênios e continua a inspirar fiéis ao redor do mundo.