Cotidiano
O que muitos espectadores não sabem é que aquele movimento foi tratado como uma infração gravíssima e proibido por quase meio século
O americano Ilia Malinin, o 'Quad God', executou um backflip (salto mortal para trás) perfeito em sua apresentação / SpiritedMichelle/ Wikimedia Commons
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Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 acabam de presenciar um momento histórico e arrepiante. O americano Ilia Malinin, o 'Quad God', executou um backflip (salto mortal para trás) perfeito em sua apresentação.
O que muitos espectadores não sabem é que aquele movimento foi tratado como uma infração gravíssima e proibido por quase meio século.
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A última vez que o mundo viu essa manobra em uma Olimpíada foi em 1976. Logo após, a União Internacional de Patinação (ISU) baniu o salto. Os motivos eram dois:
Risco Fatal: Um erro de milímetros na rotação poderia fazer o atleta cair de pescoço no gelo rígido, causando lesões irreversíveis ou morte.
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Estética 'Circense': Juízes tradicionais consideravam o mortal 'ginástica demais' e pouco elegante para a patinação artística clássica.
O debate sobre o fim da proibição não é novo. Em 1998, a francesa Surya Bonaly chocou o mundo ao realizar o backflip em Nagano, mesmo sabendo que seria penalizada. Ela aterrissou em uma única lâmina — um feito sobre-humano — como forma de protesto contra o conservadorismo do esporte.
Somente em 2024 a federação internacional reconheceu que os atletas modernos atingiram um nível técnico que tornava o veto obsoleto. Hoje, o backflip é permitido, mas com uma curiosidade: ele não vale pontos técnicos. O salto serve apenas para impacto artístico e para levar a torcida ao delírio.
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Ao cravar o mortal para trás no maior palco do planeta, Malinin não apenas garantiu a medalha de ouro para os Estados Unidos, mas encerrou uma era de medo. O backflip agora não é mais um erro técnico, mas o símbolo definitivo da evolução física e da ousadia na patinação artística mundial.